domingo, 4 de dezembro de 2016

SWAT: Pronta Resposta às Ocorrências Policiais Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Fotografia 1: Dupla de operadores da SWAT do LAPD (Los Angeles Police Department [Departamento de Polícia de Los Angeles]). (Fonte: Disponível em: http://wallpapersafari.com/lapd-wallpaper/ Acesso em: 3 dez. 2016).

Na manhã de 1º de agosto de 1966, após eliminar seus dois primeiros alvos, respectivamente sua esposa e mãe, Charles Joseph Whitman, ex-fuzileiro naval dos EUA (USMC [United States Marine Corps]) reconhecido por sua perícia como atirador e marcado por um histórico de frustrações, invadiu o campus da Universidade do Texas, localizada na cidade de Austin, portando diversas armas de diferentes tamanhos e calibres. Alojando-se na torre do sino no edifício principal da universidade, Whitman passou a observar os pedestres que se locomoviam pelas dependências do campus. Nos 95 minutos que se seguiram ele disparou indiscriminadamente contra os pedestres sem enfrentar resistência. Quase duas horas depois de iniciar os disparos, o ex-fuzileiro foi morto por um policial local que havia conseguido avançar cautelosamente até a torre. Conhecido como “Massacre da Torre do Texas”, os disparos de Whitman feriram 32 pessoas e resultaram na morte de outras 14.
O evento relatado anteriormente, acrescido de uma onda de ações violentas cometidas contra a população civil e a força policial do município de Los Angeles (estado da Califórnia) no decorrer da década de 1960, levou o departamento de polícia da cidade (LAPD [Los Angeles Police Department]) à constatação de que não dispunha de capacidade para lidar com ocorrências de natureza não convencional. Face a esse julgamento, em 1967 o sargento John G. Nelson, também um ex-fuzileiro naval, apresentou a Darryl Francis Gates, então inspetor responsável por supervisionar as investigações do LAPD, o conceito de uma unidade tática apta a confrontar situações envolvendo indivíduos armados cujos métodos e violência empregados se mostram incomuns, entre os quais: atiradores furtivos; roubos perpetrados por suspeitos fortemente armados; sequestros; etc.  Ciente da incapacidade demonstrada pela polícia de confrontar esse tipo de ameaça, Gates (que futuramente viria se tornar Chefe do LAPD) deu andamento à proposta de Nelson autorizando a concepção de uma tropa especializada, oficialmente conhecida como LAPD Metropolitan Division`s “D Platoon” (“Pelotão D” da Divisão Metropolitana do Departamento de Polícia de Los Angeles) e identificada pela sigla SWAT (Special Weapons and Tactics [Armas e Táticas Especiais]).

Fotografia 2: Equipe da SWAT do LAPD engajados uma ocorrência de risco elevado envolvendo um suspeito abrigado no interior de sua residência com três filhos. (Fonte: Disponível em: http://abc7.com/news/barricade-suspect-surrenders-to-police-in-leimert-park/771548 Acesso em:3 dez. 2016).

A unidade inicialmente foi constituída por 60 elementos, divididos em 15 equipes de quatro operadores, reunidos de forma voluntária a partir das diferentes unidades vinculadas ao LAPD (todos os selecionados para compor a SWAT apresentavam experiência militar prévia). Cada uma das equipes operavam em sistema de sobreaviso, sendo ativadas e reunidas periodicamente para receber treinamento mensal ou quando uma intervenção se fazia necessária.
A SWAT teve seu primeiro grande desafio em dezembro de 1969, quando seus quadros operacionais foram incumbidos de apreender armas ilegais localizadas na sede do Partido dos Panteras Negras, organização ligada ao movimento nacionalista que defendia a unidade racial negra opondo-se ao pluralismo cultural. Em meados dos anos 1960, os Panteras Negras assumiram-se como movimento revolucionário defendendo ideais como: a isenção de impostos da população negra; o pagamento de indenizações por séculos de exploração da chamada “América Branca”; entre outros. Para alcançar seu intento, militantes radicais do partido defendiam o armamento da população negra e o início de uma luta armada. Na ocasião da intervenção policial, integrantes dos Panteras Negras antagonizaram a SWAT por quatro horas em um violento confronto que redundou em seis feridos (três policiais e três militantes do partido).
No início dos anos 1970, a crescente criminalidade em diferentes regiões de Los Angeles, além das dificuldades demonstradas pela polícia para organizar uma resposta eficiente em tempo hábil, levaram o LAPD a estabelecer a SWAT em tempo integral colocando-a sob autoridade da Divisão Metropolitana.  

Figura 1: Emblema da SWAT do LAPD. (Fonte: Disponível em: http://criminalminds.wikia.com/wiki/Special_Weapons_and_Tactics Acesso em: 3 dez. 2016).

A transição da década de 1970 para 1980 foi marcada pelo incremento da atividade terrorista no cenário internacional. O atentado perpetrado pela organização fundamentalista Setembro Negro contra a equipe olímpica israelense durante os jogos de 1972, realizados em Munique na Alemanha, evidenciaram o quão atrativos são os eventos dessa natureza para os grupos terroristas, estimuladas a incutir o medo por meio da violência devido a projeção midiática ofertada pelas Olímpiadas. Nesse contexto, na condição de cidade sede dos Jogos Olímpicos de 1984, Los Angeles figurava como um potencial alvo da atividade terrorista. Assim, no intuito de preparar-se adequadamente para essa modalidade de enfrentamento (até então inexplorada pela SWAT), em 1983 o LAPD destacou três supervisores da unidade para viajar à Europa no intuito de pesquisar TTP (Táticas, Técnicas e Procedimentos) executados por tropas contraterroristas (CT) de diferentes países daquele continente, a se destacar: 22nd SAS (22nd Special Air Service Regiment [22º Regimento do Serviço Aéreo Especial]) britânico; GIGN (Group d`Intervention de la Gendarmerie Nationale [Grupo de Intervenção da Gendarmerie Nacional]) francês; GSG9 9 (Grenshutzgruppe 9 [Grupo de Defesa de Fronteira 9]) alemão. No ano seguinte os jogos transcorreram de forma segura e pacífica, restando à SWAT um legado (desenvolvimento para operar em ações CT) que elevou seu nível de empregabilidade.

Fotografia 3: Policiais da SWAT do LAPD após o desfecho de ocorrência envolvendo um atirador-suicida no campus da UCLA (University of California at Los Angeles [Universidade da Califórnia em Los Angeles]). (Fonte: Disponível em: http://hamodia.com/2016/06/01/shooting-ucla-campus/ Acesso em: 3 dez. 2016).

Atualmente a SWAT de Los Angeles é reconhecida internacionalmente como uma das mais capacitadas unidades táticas policiais do mundo, respondendo a qualquer ocorrência de risco elevado que esteja sob autoridade do LAPD. Estruturalmente a SWAT de Los Angeles é composta por 60 Policiais, seis Sargentos e um Tenente. Responsável pelo comando da unidade e por responder ao Chefe do LAPD, o Tenente é identificado pelo código 10-David, enquanto os Sargentos, cada um deles responsável por um esquadrão de 10 homens (divididos em dois grupos táticos de cinco elementos), são designados conforme antiguidade com códigos que variam entre 20-David à 70-David. 
Introduzido pela LAPD, o conceito de Armas e Táticas Especiais que caracterizam a SWAT foi difundido por todo o território norte-americano, sendo incorporado pelos departamentos de polícia de diferentes metrópoles, tais como: Nova York; Miami; Chicago; Dallas; San Francisco; Salt Lake City; entre outras. Esse mesmo conceito se estenderia para além das fronteiras estadunidenses influenciando na criação e/ou desenvolvimento de unidades policiais análogas de diferentes países.



4 comentários:

  1. Parabéns Prof. Rodney! Excelente texto!!!

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  2. Caro Rodney, mais uma vez parabéns pelo artigo que de forma objetiva mostrou a gênesis das SWATs nos EUA.Como sugestão, você poderia abordar o nascimento das operações especiais em nossas policias em futuros artigos? acho que seria bastante interessante para compreendermos esse outro aspecto das Operações Especiais.Grato!

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    1. Agradeço pelas palavras Francisco. Sua solicitação já foi anotada e será atendida no momento oportuno. Forte abraço!!!

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