sexta-feira, 20 de julho de 2018

Sob as Garras do Predador: Tecnologia dos Drones Empregada em Suporte às Operações Especiais (Parte 1)

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa, publicado originalmente pela Revista Segurança & Defesa, n° 120, pgs. 54 a 58, 2015. 


Fotografia 1: O drone MQ-1 Predator foi uma das ARPs (Aeronave Remotamente Pilotadas) mais empregadas nas campanhas do Afeganistão e Iraque por ocasião da GWOT (Guerra Global contra o Terrorismo) iniciada após os atentados de 11 de Setembro. Essa aeronave geralmente era utilizada juntamente com as FOpEsp (Forças de Operações Especiais) no contexto dos "Engajamentos de Precisão". (Fonte: Disponível em: http://www.thedrive.com/the-war-zone/19122/usaf-officially-retires-mq-1-predator-while-mq-9-reaper-set-to-gain-air-to-air-missiles Acesso em: 17 jul. 2018).


            Embora a tecnologia militar tenha avançado vertiginosamente no curso dos conflitos travados ao longo do tempo, a guerra ainda é um empreendimento sustentado e decidido, sobretudo, com base no esforço humano. Contudo, devido à propensão de potencializar as capacidades humanas no campo de batalha, as aplicações tecnológicas maximizam vantagens, fazendo com que a balança de mensuração de força penda a favor das tropas dotadas com maiores e melhores recursos. Tal premissa aplica-se principalmente às Operações Especiais (OpEsp) por ocasião da precisão requerida, muitas vezes visando a consecução de objetivos estratégicos de natureza crítica para o Estado patrocinador da ação.
              O caráter sensível das missões para quais as Forças de Operações Especiais (FOpEsp) se destinam requer uma grande variedade de informações obtidas em tempo real ou quase real a fim de segurança operacional. Para que possam planejar ou realizar suas ações, as tropas especiais são dependentes de sistemas de sensores de alta resolução que operam diuturnamente fornecendo imagens independente das condições meteorológicas. Nos vários eventos em que se envolveram no passado, as unidades de elite mostraram-se dependentes de satélites e aeronaves tripuladas com a função C3 (Comando; Controle; Comunicação), como o Lockheed U-2, Northrop Grumman E-8 Joint STARS ou o Boeing E-3 Sentry, para fornecer dados de inteligência que muitas vezes não tinham prioridade voltada para as operações em pequenas escala conduzidas por um Destacamento de Forças Especiais (DFOpEsp). Vulgarmente identificadas pelo termo genérico drone, as Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) – também conhecidas por Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), sua designação anterior – passaram a ser utilizadas, entre outras funções, para suprir a deficiência em relação ao apoio de inteligência ofertado às FOpEsp.


Fotografia 2: Operador do 601° Grupo de Forças Especiais do General Moravce (601. Skupina Speciální Sil Generála Moravce) da República Tcheca lança um drone modelo RQ-11B Raven (Fonte: Disponível em: https://www.reddit.com/r/MilitaryPorn/comments/7r4exd/czech_601st_special_forces_group_operator_gets/  Acesso em: 17 jul. 2018).

          Apesar do emprego de ARP ter obtido notoriedade no decorrer das campanhas militares levadas a efeito no Afeganistão (2001-2011) e Iraque (2003-2011), as aeronaves desprovidas de piloto embarcado já foram utilizadas em conflitos anteriores aos ocorridos no século XXI. Durante a Guerra do Vietnã (1959-1975), aeronaves do tipo Ryan Model 147 “Lightning Bug” da USAF (US Air Force, ou Força Aérea dos Estados Unidos) revelaram a localização de aeródromos e plataformas de lançamento de SAM (Surface to Air Missile, ou Misseis Superfície-Ar) operadas por forças norte-vietnamitas. Na Guerra do Líbano (1982) a IAF (Israel Air Force, ou Força Aérea de Israel) valeu-se dos UAV (Unmanned Aerial Vehicle, Veículos Aéreos Não Tripulados) modelo Pionner para detectar SAM no Valle de Bekaa. No decorrer da Operação Tempestade do Deserto (1991), essa mesma categoria de ARP coletou informações no nível tático para o 5th SFG(A) (5th Special Forces Group Airborne, ou 5° Grupo de Forças Especiais Aerotransportada) na campanha de caçada aos mísseis Scud iraquianos.
Mesmo podendo executar missões de Reconhecimento Armado, Supressão dos Sistemas de Defesa Aérea e Supressão de Meios Aéreos, as ARP são empregadas por FOpEsp, especificamente, devido a sua capacidade de executar missões ISR (Intelligence, Surveillance and Reconaissance, ou Inteligência, Vigilância e Reconhecimento), fornecendo, por ocasião de um sistema integrado de captação e transmissão de dados (radar de abertura sintética; câmera de TV diurna e câmera de imagem termográfica [ambas com abertura variável]; sensor eletro-óptico; designador infravermelho), um pacote de informações transmitidas via rádio que auxiliam no encadeamento do “Engajamento de Precisão”. O conceito de Engajamento de Precisão foi estabelecido pela Joint Vision 2020 (documento emitido pelo Departamento de Defesa dos EUA formulando a base da doutrina militar norte-americana) considerando, no nível estratégico da guerra, a capacidade de forças conjuntas na tarefa de localizar, vigiar, discernir e acompanhar objetivos ou alvos; selecionar, organizar e utilizar os sistemas corretos; gerar os efeitos desejados; avaliar os resultados obtidos; responder, quando necessário, com velocidade decisiva e ritmo operacional esmagador conforme os requisitos da operação militar em questão. 


Fotografia 3: O micro-drone modelo Black Hornet em procedimentos de testes para operar como equipamento pessoal dos operadores das Special Forces (Forças Especiais) do Exército dos EUA. Pesando apenas 18 gramas e com autonomia de 25 minutos, esse minúsculo drone dispõe de três câmeras, incluindo dispositivo térmico, que o permite voar à noite. (Fonte: Disponível em: https://special-ops.org/uncategorized/u-s-army-special-forces-to-be-equipped-with-personal-drones/ Acesso em: 17 jul. 2018).

Ainda que as ARP prestem uma significativa contribuição às OpEsp,  por problemas de ordens diversas alguns atores estatais têm grandes entraves para disponibilizar as capacidades desse vetor em favor das OpEsp. Nesse sentido, por não perceberem o setor de Defesa como prioritário, determinados Estados não viabilizam o aporte financeiro necessário para suprir a demanda do setor, limitando a aquisição e o desenvolvimento de novas tecnologias. As OpEsp também se deparam com obstáculos político-estratégicos, devido a forma incompatível com que são utilizadas, sendo percebidas pelas autoridades apenas como uma alternativa tática, fato que faz com que os expedientes das ARP sejam postulados, principalmente, para ações consideradas de valor estratégico. A limitação tecnológica representa outra barreira, uma vez que as OpEsp têm exigências muito específicas que requer das ARP aprimoramento tecnológico dos sistemas de entrelaçamento de dados, autonomia de voo e capacidade de carga para o transporte de suprimentos que poderiam potencializar a capacidade do DFOpEsp desdobrado para desempenhar missões de natureza variada.


Continua...




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Emprego da Doutrina F3EAD em Apoio às Operações Especiais (Parte Final)


Adaptação do texto escrito originalmente por Charles Faint & Michael Harris, publicado em 31 de janeiro de 2012 no Small Wars Journal. (Disponível em: http://smallwarsjournal.com/jrnl/art/f3ead-opsintel-fusion %E2%80%9Cfeeds%E2%80%9D-the-sof-targeting-process Acesso em: 28 mai. 2018). 


Fotografia 1: Operadores do 3rd Reconnaissance Battalion (3° Batalhão de Reconhecimento) do Corpo de Fuzileiros Navais norte-americano (US Marine Corps) e do Real Corpo de Fuzileiros Navais britânico (Royal Marines) participam de treinamento combinado para desenvolver procedimentos comuns em operações VBSS (Visit, Board, Search and Seizure [de Retomada e Resgate]) nos ambiente geográfico do Pacífico. (Fonte: Disponível em:  https://www.dvidshub.net/image/4247020/us-marines-with-3rd-reconnaissance-battalion-conduct-raids-training-with-british-royal-marines-us-sailors-guam Acesso em: 18 jun. 2018). 

Unidades que empregam a metodologia F3EAD (Find, Fix, Finish, Exploit, Analyze and Disseminate [Localizar, Ajustar, Finalizar, Explorar, Analisar e Disseminar]) de forma eficiente dispõem de adaptabilidade organizacional que possibilita a incorporação consciente de pessoal e ativos, além do desenvolvimento de capacidades operacionais, que nem sempre são considerados como parte do empreendimento de combate. Sobre esse aspecto cabe salientar que nas ações não letais levadas a efeito no Afeganistão e Iraque, a inclusão de pessoal e recursos investigativos, forenses e de compartilhamento de informações, foram fundamentais no processo de transformar dados de inteligência em evidência. As particularidades de cada uma das etapas componentes da metodologia F3EAD são assim definidas:

Localizar – Esta etapa busca estabelecer um ponto inicial para a coleta de Inteligência. Estes pontos de partida levam à nomeações de alvos. O ponto inicial pode ser deliberado ou considerado com base em uma situação de “oportunidade”, podendo se concentrar em um indivíduo, organização, instalação, organização ou algum outro tipo de assinatura.

Ajustar – Refere-se à capacidade de ajustar o alvo no tempo e no espaço após ser devidamente localizado e identificado. Ao ajustar o alvo, a função de Inteligência progrediu suficientemente para que a função Operacional tenha informações para executar missões de natureza Cinética (percebidas imediatamente em virtude das ações combativas) ou Não-Cinética, tais como: neutralização de uma rede de comunicações; obtenção de resultados psicológico, políticos ou sociais desejados. Quando possível as FOpEsp (Forças de Operações Especiais) se valem da prática de espalhar o esforço de “ajustar” entre várias agências de Inteligência de maneira a aumentar a velocidade do processo, maximizar os efeitos, minimizar os custos, o esforço e o tempo.

Finalizar – As duas primeiras etapas do método F3EAD levam às operações decisivas contra o inimigo. As operações de combate nas quais as FOpEsp se engajam estão diretamente associadas à etapa “finalizar”. Contudo, embora caracterizada por métodos de Ação Direta (Cinética), essa etapa também pode ser de natureza Não-Cinética. Na metodologia F3EAD, a etapa “finalizar” refere-se mais à conclusão de uma missão específica, do que a derrota das forças inimigas, e no contexto desse método o esforço principal está apenas começando.

Explorar – Considerada como o elemento principal e o mais crítico do processo F3EAD, a etapa “Explorar” possibilita a descoberta, fixação e finalização do próximo alvo e levando à perpetuação do ciclo. Essa etapa também á a que melhor cumpre o objetivo da Inteligência, propiciar uma “vantagem decisiva” para os decisores em todos os níveis de condução da guerra/crise. No modelo F3EAD, a etapa “Explorar” constitui o processo de examinar, analisar, interrogar e processar informações provenientes de pessoal, equipamento e material capturado para fins de inteligência. Essa etapa ocorre em três níveis: a exploração no nível 1 ocorre no ambiente tático no ponto de captura; a exploração no nível 2 é orgânica em unidades ou à nível de Teatro de Operações; a exploração no nível 3 é conduzida em nível nacional como parte do esforço de toda comunidade de Inteligência. O processo de exploração pode ser realizado por pessoal vinculado à função de Inteligência ou à Função Operacional no objetivo, através de uma variedade de meios, tais como: interrogatório em campo de batalha ou exploração de documentos e mídia. O objetivo geral do esforço nessa etapa é produzir inteligência e/ou evidência para perpetuar o processo F3EAD o mais rapidamente possível. Em apoio a este objetivo, deve-se explorar quatro aspectos distintos: Proteção da Força; Desdobramento; Fornecimento de Componentes e Materiais; Provimento de Elementos de Acusação. A exploração do pessoal e material inimigo capturado para fins de Proteção da Força é realizada de modo a coibir/impedir ataques inimigos às Forças Amigas. O Desdobramento permite que as Forças Amigas mobilizem esforços contra as Forças Inimigas para obter efeitos letais ou não letais. O Fornecimento de Componentes e Materiais contribui para que a Inteligência assimile as informações relacionadas ao pessoal e material inimigo capturado, permitindo-lhe integrar os dados obtidos em toda a sua rede. Finalmente, o Provimento de Elementos de Acusação auxilia em um eventual processo legal movido contra as forças inimigas depois que seu pessoal e material foi totalmente explorado para fins de inteligência. Ao incluir a acusação como parte do processo de exploração, a metodologia F3EAD oportuniza que forças amigas transformem inteligência em evidência, possibilitando que as forças inimigas, se necessário, sejam legalmente acusadas no intuito de assegurar a proteção das Forças Amigas e da população que as apoiou (particularmente em conflitos de natureza irregular).

Fotografia 2: Quadros operacionais do 10th SFG-A (10th Special Forces Group-Airborne [10° Grupo de Forças Especiais-Aerotransportadas]) do Exército norte-americano e do 1° Regimento de Forças Especiais do DWS (Dowództwo Wojsk Specjalnych [Comando de Operações Especiais]) polonês durante planejamento de uma ação combinada. (Fonte: Disponível em: http://www.eucom.mil/media-library/Article/19570/building-special-operations-military-relationships-in-europea-continuous-cycle Acesso em: 18 jun. 2018).

Analisar – É durante esta etapa que as informações coletadas nas fases anteriores são transformadas em dados de inteligência possíveis de serem usados nas operações a serem conduzidas. As análises podem ser realizadas pelas FOpEsp no Teatro de Operações, ou mediante envio do material coletado para instalações apropriadas visando uma avaliação mais profunda. É importante salientar a importância da ação interagências para a análise de inteligência, uma vez que, geralmente, as FOpEsp não dispõem da infraestrutura orgânica necessária para maximizar o valor do método F3EAD.

Disseminação – Esta etapa constitui uma das chaves para o sucesso da metodologia F3EAD, pois considera a criação de uma rede de difusão mais ampla que àquela tradicionalmente praticada na comunidade de inteligência norte-americana. A disseminação dos dados de inteligência coletados por FOpEsp ajuda a criar uma rede eficiente e com capacidade para apresentar/compartilhar a informação de forma apropriada. Nesse contexto, a informação chega depurada e com agilidade aos níveis decisores evitando que seja corrompida no longo percurso adotado pelos métodos tradicionais de inteligência, uma vez que nos procedimentos convencionais a informação, necessariamente, deve percorrer os diferentes níveis hierárquicos. 

A metodologia F3EAD representa uma revolução na forma como as FOpEsp conduzem ações letais e não-letais. Mais do que um modelo conceitual, esse método reflete o conceito que preconiza a fusão entre as funções de Inteligência e Operacional. O método F3EAD cria um tipo de unidade de esforço e potencializa o ritmo operacional inédito no âmbito dos enfrentamentos contemporâneos. O sucesso das tropas especiais, valendo-se dessa metodologia, serve como validação da eficácia do processo.







terça-feira, 5 de junho de 2018

Emprego da Doutrina F3EAD em Apoio às Operações Especiais (Parte 1)

Adaptação do texto escrito originalmente por Charles Faint & Michael Harris, publicado em 31 de janeiro de 2012 no Small Wars Journal. (Disponível em: http://smallwarsjournal.com/jrnl/art/f3ead-opsintel-fusion %E2%80%9Cfeeds%E2%80%9D-the-sof-targeting-process Acesso em: 28 mai. 2018). 


Fotografia 1: Cena do filme "12 Heróis" (12 Strong, 2018), que retrata a história da primeira equipe de Special Forces (Forças Especiais) do Exército dos EUA enviada ao Afeganistão após os atentados de 11 de setembro de 2001, com a finalidade de convencer os líderes da Aliança do Norte a unirem forças no combate ao Talebã e à al-Qaeda. (Fonte: Disponível em: http://www.sky.com/movie/12-strong-2018 Acesso em: 30 mai. 2018). 

Projetada para ser utilizada pelas FOpEsp (Forças de Operações Especiais) norte-americanas em missões de Ação Indireta, a doutrina F3EAD (Find, Fix, Finish, Exploit, Analyze and Disseminate [Localizar, Ajustar, Finalizar, Explorar, Analisar e Disseminar]) surgiu para contrariar a crescente ameaça comunista na América Latina na década de 1980
Também conhecida pelo termo “Feed”, esta metodologia é uma versão da doutrina Targeting (Segmentação), processo pelo qual ocorre a seleção de alvos a serem engajados dentro da Área de Responsabilidade (área geográfica associada na qual um comandante combatente geográfico tem autoridade para planejar e conduzir operações) ou Áreas de Influência (área geográfica em que um comandante é diretamente capaz de influenciar operações por manobras ou sistemas de apoio de fogo normalmente exercendo comando ou controle) de um componente militar em decorrência de um conflito e/ou crise.
Operando em rede, a doutrina Targeting enfatiza a identificação dos HPT (High Payoff Target [Alvos de Prejuízo Elevado]) combinando um conjunto de ações letais e não-letais apropriadas para cada um desses alvos no intuito de criar efeitos específicos e desejados compatíveis com os requisitos operacionais e em conformidade com os objetivos do Comandante. Cabe à esse sistema, a tarefa de identificar e selecionar recursos que proporcionam maior vantagem ao inimigo e os quais as forças adversárias não podem se dar ao luxo de perder. Além disso, é de responsabilidade do método Targeting a tarefa de vincular os efeitos desejados às ações a serem desempenhadas pelas Forças Amigas.


Figura 1: As cinco fases que compõem o "Ciclo de Inteligência". (Fonte: Disponível em: https://countuponsecurity.com/2015/08/15/the-5-steps-of-the-intelligence-cycle/ Acesso em: 30 mai. 2018).

Por sua vez, a doutrina F3EAD é um sistema de rede que permite às FOpEsp a capacidade de antecipar e prever ações realizadas por tropas inimigas, identificando, localizando e direcionando forças mediante exploração de dados de inteligência (potencial de combate adversário) obtidos por ocasião da captura de pessoal e material. A base para o êxito da metodologia F3EAD consiste na simbiose entre as funções de Inteligência e Operacional em todo os processos conduzidos pelas FOpEsp. Nesse sentido, os decisores estabelecem alvos prioritários, a função de Inteligência fornece o direcionamento para o alvo, enquanto a função Operacional executa as ações levadas à efeito como uma (OpEsp) Operação Especial.
Esta relação simbiótica, permite que a função de Inteligência compreenda, antecipe e busque atender às necessidades da função Operacional de modo a favorecer a agilidade das ações, permitindo aos decisores, em todos os níveis de condução da guerra/crise (Político, Estratégico, Operacional e Tático), dispor das condições necessárias para planejar e executar operações contra o inimigo sem que o mesmo possa reagir adequadamente. Dispondo dessa capacidade, as Forças Amigas têm condições de ditar o ritmo e definir as condições operacionais.
O F3EAD é uma evolução natural do Targeting, combinando aspectos do ciclo de inteligência e planejamento operacional convencionais com o conjunto de técnicas e táticas emergentes, assimilados em procedimentos desenvolvidos em operações de contingência realizadas em todo o mundo.


Fotografia 2: Operador das Special Forces (Forças Especiais) do Exército norte-americano emprega dispositivo de comunicação multicanais de alto desempenho no campo de batalha. (Fonte: Disponível em https://americansecuritytoday.com/harris-wins-us-special-ops-contract-next-gen-manpack-radios-video/ Acesso em: 30 mai. 2018). 

Embora as FOpEsp estejam melhor preparadas para se valerem das vantagens ofertadas pelo método F3EAD (devido à sua adaptabilidade organizacional, treinamento especializado e recursos exclusivos), essa metodologia não é inovadora nem exclusiva das unidades militares de elite. Nos EUA, o F3EAD constitui parte dos programas básicos de treinamento visando a formação de pessoal na especialidade Inteligência.
Uma diferença fundamental entre a doutrina convencional de Targeting e a F3EAD refere-se ao fato de que a metodologia convencional concentra-se, sobretudo, nas operações de Ação Direta (AD) executadas contra HPTs (levadas à efeito com a finalidade de causar efeitos letais de modo a ocasionar ao inimigo grande dano ou destruição/eliminação), enquanto o método F3EAD adequa-se tanto às AD quanto às Ações Indiretas (AI), que por sua vez priorizam os efeitos não letais. Ao contrário das metodologias tradicionais de Targeting, que direcionam esforços para a etapa "finalizar", uma vez que os conflitos passados buscavam a destruição física das forças inimigas e sua infraestrutura à fim de minar com sua vontade de resistir, o principal esforço do método F3EAD encontra-se voltado para as etapas “explorar, analisar e disseminar”. Nesse contexto, é essencial reconhecer que a natureza da guerra mudou e encontra-se em constante evolução.
Na denominada “Era da Informação” os conflitos se prolongam e o espectro da ameaça apresenta caráter variável, alternando oponentes que lançam mão de métodos adaptativos e assimétricos e adversários que dispõem de poder de combate suficiente para empreender formas convencionais e simétricas de enfrentamento. Nesse cenário, destacam-se a guerra em rede, os atores não-estatais e a aversão ao risco, como determinantes para que o esforço principal não pode se limite à “derrota” das forças inimigas no sentido tradicional da “Guerra de Atrito”.
No âmbito da guerra travada no século XXI, é importante perceber o processo F3EAD como uma rede com os diferentes elementos do processo ligados diretamente uns aos outros e em fusão com as funções de Inteligência e Operacional. O ciclo é contínuo, mas não necessariamente congruente, e as etapas geralmente são omitidas ou encurtadas para que o processo acompanhe a “velocidade” da guerra.

Figura 2: Etapas do processo F3EAD. (Fonte: Disponível em: http://smallwarsjournal.com/jrnl/art/f3ead-opsintel-fusion %E2%80%9Cfeeds%E2%80%9D-the-sof-targeting-process Acesso em: 28 mai. 2018). 

Continua...





domingo, 20 de maio de 2018

No Coração da Selva: Ação dos Comandos Jungla da Policia Nacional da Colômbia

Texto elaborado por Francisco Paulo Costa da Silva*  


Fotografia 1: Os Comandos Junglas da Polícia Nacional da Colômbia são tradicionalmente suportados por helicópteros modelo Black Hawk. (Fonte: Disponível em: https://www.policia.gov.co/especializados/jungla Acesso em: 18 mai. 2018).

A Colômbia atualmente passa por um processo de consolidação de paz com o movimento guerrilheiro FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]), que possivelmente levará a uma diminuição das ações insurrecionais na selva daquele país. É bem sabido que há muito tempo as forças policiais travam combates diuturnos contra a guerrilha e o tráfico de drogas, merecendo destaque especial os Comandos Junglas, unidade que tem como missão principal, planejar e executar operações contra o narcotráfico, capturar delinquentes das famosas Bandas Criminales (quadrilhas especializadas no tráfico de drogas) e combater as atividades guerrilheiras em meio rural.
A origem dos Comandos Jungla, remonta ao final da década de 80, no qual militares ingleses, especificamente membros do SAS (Special Air Service [Serviço Aéreo Especial]), das forças armadas Britânicas, vieram até à Colômbia com a finalidade de treinar policiais para combater a guerrilha e o narcotráfico utilizando-se de técnicas especiais. Nessa época, as ações de Pablo Escobar estavam se tornando mais ousadas, carecendo de um combate mais efetivo e profissional por parte das forças legais. Havia também rumores de que membros do IRA (Irish Republican Army [Exército Republicano Irlandês]), guerrilha separatista que lutava contra os ingleses na Irlanda do Norte, estavam realizando treinamento com as FARCs. A vinda dos militares ingleses foi uma decisão conjunta com o governo americano haja vista uma crescente influência dos EUA no cenário da política interna colombiana.


Fotografia 2: Quadros operacionais dos Comandos Jungla em procedimento de patrulha pelo interior da Colômbia na busca por laboratórios de processamento de cocaína. (Fonte: Disponível em: https://www.taringa.net/comunidades/colombia/6518572/Fuerzas-Especiales-Comandos-Jungla-Policia-Nacional.html Acesso em: 18 mai. 2018).

O curso de Comandos Jungla normalmente é divido em duas edições, a primeira, a nacional, direcionada exclusivamente para policiais colombianos, a segunda, foi efetivada após implementação do Plano Colômbia em 2002 (plano de ajuda econômica e militar dos EUA para combater grupos insurgente e o narcotráfico na Colômbia), com o lançamento do curso Comandos Jungla internacional que teve como objetivo capacitar policiais de países da América Latina nas técnicas de combate ao narcotráfico em ambiente de selva. O curso tem uma duração de quatro meses e meio, na CENOP (Escuela Internacional del Uso de la Fuerza Policial para la Paz [Escola Internacional do Uso da Força Policial para a Paz]) da Polícia Nacional, localizada em San Luis no departamento de Tolima. Os alunos passam por diversas instruções como: operações helitransportadas, operações de combate, patrulhas de reconhecimento especial, sobrevivência, combate em recinto fechado, armamento de dotação dos comandos, operações antidrogas, tomada de campo de cultivo ilícito de cocaína, patrulha rural, orientação e navegação terrestre e outras de interesse da formação dos novos comandos. O curso normalmente tem uma taxa de atrito de 35 a 40 % de desistência, demonstrando um grande nível de exigência em sua execução.


Imagem 1: Emblema dos Comandos Jungla da Polícia Nacional da Colômbia. (Fonte: Disponível em: https://twitter.com/comandosjungla Acesso em: 18 mai. 2018). 

Os Junglas são subordinados à Dirección de Antinarcóticos (Direção Antinarcóticos) da Polícia Nacional da Colômbia. Após o término do curso os novos comandos são distribuídos nas Companhias Antinarcóticos Junglas nas cidades de Bogotá, Santa Marta e Tuluá. Atualmente cada companhia conta com pelo menos 200 policiais. Também existe uma companhia de instrutores Junglas no centro de formação em São Luiz.
A mobilidade dos Comandos Jungla depende dos helicópteros Black Hawks da Polícia Nacional da Colômbia, que atualmente conta com 20 aeronaves, sendo a força policial que mais opera com helicóptero desse porte  no mundo.
Atualmente os Comandos Jungla são assessorados por militares do 7th SFG-A (7th Special Forces Group-Airborne [7º Grupo das Forças Especiais-Aerotransportadas]) do Exército norte-americano e pela DEA (Drug Enforcement Agency [Agência para o Controle/Combate às Drogas]) dos Estados Unidos. O sucesso do Programa Jungla é tão visível, que os antigos instrutores estadunidenses se tornaram assíduos observadores e aprendizes das técnicas de combate que os Comandos Jungla desenvolveram para o ambiente de selva. Juntando a capacidade de transporte fornecida pelos helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawks da polícia nacional com o planejamento detalhado em suas missões, os Junglas se tornaram experts em destruição de laboratório de cocaína, busca e prisão de chefes de cartéis de drogas e, ponta de lança nas operações de neutralização dos grandes líderes das FARCs.
Além das missões de destruição de laboratórios de processamento de coca, os Comandos Jungla se envolveram nas principais operações de neutralização dos chefes das FARC, contribuindo de sobremaneira para o enfraquecimento do grupo guerrilheiro.


Fotografia 3: Dupla de operadores Jungla durante operação de destruição de laboratórios de processamento de cocaína enviada pelos narcotraficantes até as fronteiras com o Brasil e a Venezuela. (Fonte: Disponível em: https://www.infobae.com/america/america-latina/2016/08/03/comandos-jungla-colombianos-destruyeron-104-laboratorios-para-el-procesamiento-de-cocaina/ Acesso em: 18 mai. 2018).

Após quase 30 anos de sua criação os Comandos Jungla vêm se colocando à prova a cada ameaça que surge à segurança colombiana. Depois da assinatura do tratado de paz com as FARCs em 2017, outras ameaças assimétricas surgiram como resultado da desmobilização dos narcoguerrilheiros dissidentes, que não entregaram as armas e continuam a delinquir comercializando drogas com os cartéis mexicanos. Alguns paramilitares desmobilizados na década passada, hoje formam várias Bandas Criminales, que cartelizam toda a produção de drogas em algumas regiões da Colômbia, principalmente na região do Caribe. Uma das maiores ameaças da atualidade é o bando dos Urabenhos, cartel chefiado pelo criminoso de nome Otoniel, que atualmente aterroriza a região, promovendo atos violentos contra à polícia e à população do país. Diante da nova situação de segurança interna, desafios novos e antigos se apresentam aos Comandos Jungla: Operações de destruição de laboratórios de cocaína; Engajamento em operações urbanas; Combate aos cartéis organizados e as guerrilhas remanescentes.
A expertise do programa Jungla está sendo difundida para países conflagrados pelo tráfico de drogas, tais como: Honduras, Panamá e México. Com a ajuda técnica de membros do 7th SFG-A, os Comandos Jungla difundem táticas e técnicas especiais no combate ao narcotráfico, ajudando essas nações a combater esse grande flagelo que assola à sociedade nos dias atuais.
Apesar da diminuição da plantação de hectares de coca na Colômbia, o comércio dessa droga ainda figura como um dos negócios mais lucrativos do mundo. Diante disso, novos atores surgirão para disputar esse importante mercado para suprir as necessidades dos cartéis mexicanos em traficar para os EUA. Diante desse cenário, a Colômbia continua figurar como fonte de disputas pela produção da droga.


Fotografia 4: Quadros operacionais do Comandos Jungla embarcados em uma das aeronaves Black Hawk que fornecem apoio aéreo à unidade. (Fonte: Disponível em: https://www.taringa.net/comunidades/colombia/6518572/Fuerzas-Especiales-Comandos-Jungla-Policia-Nacional.html Acesso: 18 mai. 2018).


Vídeo 1: Apresentação em vídeo sobre os Comandos Jungla da Polícia Nacional da Colômbia. (Fonte: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-6_kLfrvU-g Acesso em: 18 mai. 2018).


Francisco Paulo Costa da Silva é policial federal desde 2004, ano em que concluiu o curso de papiloscopista na Academia Nacional de Polícia. Atualmente exerce a função de líder da equipe de operadores aerotáticos (atiradores da porta do helicóptero) da CAOP (Coordenação de Aviação Operacional) da Polícia Federal (PF). É graduado em História pela Universidade de Pernambuco e cursa pós-graduação em Relações Internacionais pela Damásio Educacional. Na PF participou do curso de operações aerotáticas, bem como do curso de atirador designado aerotático. Frequentou o Curso de Comandos Jungla (Polícia Nacional da Colômbia) além do curso de operações antidrogas pela School of the Americas (Escola das Américas) atual WHINSEC (Western Hemisphere Institute for Security Cooperation, ou Instituto do Hemisfério Ocidental para Cooperação em Segurança). Cursou o Estágio de Operação e Sobrevivência em Área de Caatinga (72º BIMtz [72º Batalhão de Infantaria Motorizada]) do Exército Brasileiro e o Estágio de Atirador de Precisão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM-RJ). 





sábado, 12 de maio de 2018

Cerimônia de Lançamento do Livro "Guardiões de Netuno", obra historiográfica sobre o GRUMEC da Marinha do Brasil


Fotografia 1: O autor ladeado pelos oficiais generais (Almirantes) da Marinha presentes na cerimônia de lançamento do livro "Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil". (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa).


Na tarde do último dia 11/05, ocorreu no Pátio d`Armas do Museu Naval, no Rio de Janeiro, a cerimônia de lançamento do livro “Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil”, escrito pelo Prof. Ms. Rodney Lisboa. Na ocasião do evento, compareceram ilustres autoridades militares e civis, familiares do autor, amigos, além de convidados de diferentes segmentos da sociedade brasileira.
Após a abertura oficial, foi concedida a palavra ao Capitão de Fragata Michael Vinícius AGUIAR, comandante do GRUMEC, o qual destacou o importante papel desempenhado pela unidade e enalteceu a iniciativa do autor. 

Fotografia 2: Capitão de Fragata Michael Vinícius AGUIAR, comandante do GRUMEC, no discurso de abertura do evento. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa).

Na sequência, convidado a explanar sobre a obra, o Almirante de Esquadra BENTO Costa Lima de Albuquerque Júnior, prefaciador do livro, parabenizou o autor por abraçar o desafio de escrever sobre a atividade do Mergulho de Combate. Posteriormente, o Contra Almirante Carlos Eduardo Horta ARENTZ, primeiro MEC a alcançar a graduação de Almirante no quadro de oficiais generais da Marinha do Brasil e responsável pelo texto de apresentação do livro, saudou o autor e sua família, além de exaltar a capacidade operativa dos quadros operacionais da unidade e ponderar sobre a relevância da atividade MEC para o Poder Naval brasileiro. 

Fotografia 3: Palavras do Almirante de Esquadra BENTO Costa Lima de Albuquerque Júnior, autor do Prefácio do livro. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa). 

Assumindo a palavra, o autor proferiu uma breve apresentação abordando a trajetória de publicação da obra. O autor agradeceu a presença dos convidados presentes, o apoio ofertado por sua família, o suporte do GRUMEC, da Marinha do Brasil, da Diagrarte Editora, bem como das instituições patrocinadoras (Atrasorb; NT2; USE MILITAR; CS3).
O autor foi convidado a presentear com um exemplar do livro o Suboficial Luís CLÁUDIO do Nascimento Pestana, Praça MEC mais antigo no serviço ativo, antes de posar para a foto oficial junto às autoridades da Marinha presentes e assumir o posto para iniciar uma celebrada sessão de autógrafos com todos os convidados interagindo e repercutindo o valor de uma obra dessa natureza para a literatura nacional.
Na ocasião do evento, o GRUMEC promoveu uma pequena exposição de armas e equipamentos empregados pela unidade na condução de suas atividades operativas.

Fotografia 4: Prof. Ms. Rodney Lisboa, autor do livro do GRUMEC, expõe texto de apresentação sobre a trajetória que levou à publicação da obra. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa).

Abaixo, transcreve-se as palavras do Prof. Ms. Rodney Lisboa no texto proferido por ocasião da cerimônia de lançamento do livro do GRUMEC:
Ilustres autoridades militares e civis, 
Distintos convidados, 
Inicialmente, gostaria de externar meus agradecimentos a todos que vieram prestigiar o lançamento desta obra singular. Na qualidade de autor do livro que narra a história de uma das mais conceituadas unidades militares de elite do Brasil, sinto-me honrado em recebê-los neste espaço centenário e reverenciado pela Marinha do Brasil. 
A história deste livro tem suas origens muito antes do trabalho acadêmico que o precedeu, resultante da sucessão de influências absorvidas desde a infância, consolidadas na adolescência, exploradas e aprimoradas na fase adulta.  
Ainda que não pertença a uma família com tradição militar, minhas recordações mais remotas emergem com um forte apelo marcial, talvez um chamado interno que eu não soube interpretar enquanto amadurecia, uma vez que segui por caminhos diferentes daqueles que conduziam à caserna. 
Em 1982 John James Rambo introduziu as Operações Especiais em minha vida, despertando a curiosidade em relação a modalidade de guerra não convencional. 
Na década seguinte, foi a vez dos Tenentes James Curran e Dale Hawkins se valerem da sétima arte para revelar o conjunto de ações que caracterizam a atividade do Mergulho de Combate.  
Ávido por absorver mais informações genéricas sobre as Operações Especiais, e particulares sobre o Mergulho de Combate, busquei na literatura, no cinema e em qualquer outra fonte de referência, os esclarecimentos que permitiriam ampliar a percepção que tinha sobre esses temas. 
No decorrer desse processo, entre tantos acontecimentos estudados, fui transportado para o Norte da África onde operadores do SAS britânico executavam ataques relâmpago contra aeronaves da Luftwaffe aterrissadas em improvisados campos de pouco. 
Testemunhei os mergulhadores italianos da 10ª Flotilha MAS penetrarem as defesas portuárias no Mediterrâneo conduzidos pelos torpedos Maiale, com o propósito de executar operações de sabotagem fixando minas magnéticas explosivas nos cascos de embarcações britânicas que ofereciam suporte às tropas Aliadas. 
Acompanhei o 5° Grupo de Forças Especiais norte-americano conduzir operações de Guerra Irregular junto aos nativos sul-vietnamitas que se opunham às tropas do Vietnã do Norte na densa selva do sudeste asiático. 
Presenciei a ação contraterrorista realizada por quadros operacionais israelenses do Sayeret Matkal na operação de resgate de reféns do voo AF 139 da Air France, levado a Entebbe, antiga capital de Uganda, por ocasião do sequestro perpetrado por extremistas da Frente Popular para a Libertação da Palestina. 
Foi nesse longo processo de conscientização que tomei conhecimento acerca da existência do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil. 
Na época em que o GRUMEC se revelou para mim, o acaso já havia me direcionado para a vida civil e a carreira docente. Entretanto, meus compromissos pessoais e profissionais jamais representaram empecilho para que pudesse incrementar o aprendizado inerente às Operações Especiais. 
Anos mais tarde, quando minha carreira docente sofreu um revés, não hesitei em decidir, conscientemente, por retornar para o banco da escola novamente na condição de aluno. O curso de especialização em História Militar iniciado em 2011 me aproximou do GRUMEC, levando-me a desenvolver um estudo acadêmico que acabaria por nortear a produção do livro que hoje está sendo celebrado. 
Em 2014, quando fui aprovado no programa de Mestrado da conceituada Escola de Guerra Naval, pareceu-me lógico tomar o GRUMEC uma vez mais como objeto de estudo para avultar meu entendimento em relação as operações militares não ortodoxas. 
Analisando os anos passados em perspectiva, sou levado a acreditar que minhas escolhas oportunizaram possibilidades ímpares e das quais me orgulho de ter conquistado: como o honroso convite para figurar entre os quadros do estimado Instituto de Geografia e História Militar do Brasil; a concessão do título de Mergulhador de Combate honorário concedido pelo GRUMEC; a medalha Amigo da Marinha outorgada pela Força Naval brasileira; além do reconhecimento, entre os diletos membros da comunidade de Operações Especiais, de minha contribuição como pesquisador para a valorização, reconhecimento e projeção das unidades militares de elite nos diferentes segmentos da sociedade brasileira. 
Concluo dedicando esta obra aos Mergulhadores de Combate do passado, presente e futuro. Guerreiros do mar que de forma digna e obstinada colocam suas habilidades singulares a serviço da Marinha, assumindo o régio compromisso de defender o Brasil, mantendo-o seguro e soberano para que as gerações de brasileiros que se sucedem possam trilhar o caminho de uma nação orgulhosa de seu povo e vitoriosa por seus feitos. 
FORTUNA AUDACES SEQUITUR!

Fotografia 5: O autor de "Guardiões de Netuno" autografa o exemplar do Contra Almirante Carlos Eduardo Horta ARENTZ, autor do texto de apresentação do livro. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa). 

Estiveram presentes à cerimônia de lançamento do livro do GRUMEC as seguintes autoridades da Marinha do Brasil:
  • Almirante de Esquadra BENTO Costa Lima de Albuquerque Júnior (Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha).
  • Vice Almirante (Ref.) José Carlos MATHIAS (Departamento Patrimônio Histórico e de Documentação da Marinha)
  • Vice Almirante Antônio Fernando GARCEZ Faria (Diretoria de Hidrografia e Navegação)
  • Contra Almirante Carlos Eduardo Horta ARETZ (Ministério da Defesa)
  • Vice Almirante Marcos Sampaio OLSEN (Diretoria de Obras Civis da Marinha)
  • Contra Almirante RALPH Dias da Silveira Costa (Centro de Instrução Almirante Alexandrino)
  • Contra Almirante HUMBERTO Caldas da Silveira Júnior (Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear)
  • Contra Almirante ALAN Guimarães Azevedo (Força de Submarinos)
  • Contra Almirante Luiz Roberto Cavalcante VALICENTE (Centro de Comunicação Social da Marinha)

Também compareceram ao evento os ex-encarregados/comandantes do GRUMEC:
  • Capitão de Fragata (Ref.) Theotônio Chagas TOSCANO de Brito
  • Contra Almirante Carlos Eduardo Horta ARENTZ
  • Capitão de Corveta (Ref.) Claudio José Costa de LIMA
  • Capitão de Mar e Guerra (Res.) Orlando ÉRICO Lacê de Oliveira Lima
  • Capitão de Mar e Guerra (Res.) DANIEL Silvino Costa Nogueira
  • Capitão de Mar e Guerra (Res.) ÍTALO Gama Franco Monsores

Fotografia 6: Durante a cerimônia de lançamento do livro do GRUMEC, o autor foi prestigiado por sua esposa e seus pais. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa).

Fotografia 7: Prof. Ms. Rodney Lisboa ladeado pelos Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil. (Fonte: Acervo de Rodney Lisboa).




quinta-feira, 5 de abril de 2018

Lançamento do Livro sobre a História dos Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil


Fotografia 1: Quadros operacionais do GRUMEC durante a condução de um exercício de infiltração marítima. (Fonte: Dominic André/Flashbang Magazine). 

Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil

O Mergulho de Combate (MEC) constitui uma modalidade de guerra não convencional cujas origens se confundem com a gênese da guerra. Empregado em inúmeros conflitos travados no decorrer dos diferentes períodos históricos, o MEC teve um grande impulso em várias campanhas travadas por ocasião da Segunda Guerra Mundial, evoluindo substancialmente em termos metodológicos e tecnológicos desde então. 
No Brasil, em particular, a atividade MEC foi introduzida na Marinha na década de 1970 como resultado da experiência adquirida por um grupo de militares enviados aos EUA em 1964 na condição de aspirantes ao programa de formação em demolição submarina promovido pela Marinha norte-americana. Provendo suporte às operações de desembarque anfíbio realizadas pela Esquadra nacional, o MEC superou os sucessivos períodos de instabilidade político-econômica que comprometeram o desenvolvimento da sociedade brasileira na segunda metade do século passado. Utilizando documentos escritos como ponto de partida para a elaboração deste estudo, alicerçando a análise do material coletado em fontes bibliográficas pertinentes, o presente trabalho teve por objetivo investigar a série de eventos que balizaram a introdução e o desenvolvimento do MEC na Marinha do Brasil, identificando sua relevância para a Armada e o papel exercido pela unidade em questão entre 1964 e 2018. 

Fotografia 2: Imagem promocional para divulgação do lançamento do livro "Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil". (Fonte: Rodney Lisboa).

No intuito de identificar a crescente importância do MEC para o Poder Naval brasileiro e para a política de segurança das águas jurisdicionais brasileiras frente às ameaças estatais e não estatais esta investigação foi desenvolvida pelo Prof. Rodney Lisboa de modo a correlacionar a evolução estrutural, técnica e metodológica da atividade MEC no país com os diferentes períodos históricos da sociedade nacional e internacional no período em questão, na tentativa de compreender o papel assumido pelo MEC diante do novo cenário que coloca o Brasil em condição destacada na comunidade internacional.
Fracionado em três sessões distintas, no primeiro capítulo o livro aborda os pressupostos atinentes às Operações Especiais; dedicando-se a narrar, no segundo capítulo, os eventos significativos que balizaram o MEC em âmbito internacional no decorrer dos diferentes períodos históricos; encerrando com a narrativa de 50 anos da atividade MEC no Brasil (1964-2018) no terceiro capítulo. A obra dedica-se ainda a apresentar uma cronologia fotográfica de mais de 40 imagens que ilustram momentos distintos de uma das unidades de elite brasileiras mais respeitadas no cenário doméstico e externo.

Editora: Diagrarte (www.diagrarte.com.br)

Número de páginas: 272

Tamanho: 15,5 X 23cm

Valor: R$80,00 + despesas de postagem.

Manifeste sua intenção de compra pelo e-mail: rodneymec27@gmail.com





FORTUNA AUDACES SEQUITUR!