sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Informativo FOpEsp, nº 24

Pré-venda do Livro "GUARDIÕES DE NETUNO"


O Blog FOpEsp informa que o livro: 

GUARDIÕES DE NETUNO:
Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil

já está disponível para os interessados no sistema de pré-venda (valor estipulado de R$80,00 [despesas de correio não incluídas]). Publicado com a chancela da Marinha do Brasil, o livro foi escrito por iniciativa do Prof. Rodney Lisboa (editor de conteúdo do Blog FOpEsp) e editado pela Diagrarte Editora. Fracionado em três seções distintas, a primeira parte aborda os pressupostos atinentes às Operações Especiais, a segunda parte narra os eventos significativos que balizaram a atividade MEC em âmbito internacional no decorrer dos diferentes períodos históricos, enquanto a terceira parte apresenta um relato de mais de 50 anos do MEC no Brasil (1964-2018). O livro dedica-se ainda a apresentar uma cronologia fotográfica com 54 imagens que ilustram momentos distintos de uma das unidades de elite brasileiras mais respeitadas no cenário doméstico e estrangeiro, além de uma Timeline que abrange toda historiografia do GRUMEC até 2018.

Fotografia 1: Detalhe da capa do livro "Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil" escrito pelo Prof. Rodney Lisboa com a chancela da Marinha do Brasil. (Fonte: Acervo da Diagrarte Editora).

A obra, em fase final de edição, tem seu lançamento previsto para o próximo mês de março (data a definir) com previsão de entrega dos exemplares com início a partir do dia 02/04/2018, sendo distribuídos conforme ordem de aquisição. Salientamos que o livro tem sua publicação limitada ao número de 1.000 (mil) exemplares sem estimativa de reedição. Portanto, para àqueles que se mostrarem interessados em adquirir um ou mais exemplares, sugerimos que o(s) adquira(m) com antecedência antes que a publicação se esgote. Interessados em adquirir este livro favor manifestar sua intenção de compra nos e-mails: rodneymec27@gmail.com ou contato@diagrarte.com.br

Características:

Número de páginas: 272
Tamanho: 16 X 23cm
Cores: Capas coloridas com miolo em preto e branco
Tiragem: 1.000 exemplares




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Arquivo Histórico FOpEsp nº 5: Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PMRJ durante a Copa do Mundo FIFA (2014)

Texto e arte elaborados por Anderson Subtil*.


Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PMRJ


No início da tarde de 12 de junho do ano 2000, Sandro Barbosa do Nascimento se apoderou do ônibus do transporte coletivo da cidade do Rio de Janeiro que fazia a linha 174 (Central do Brasil até a Gávea). Vários ocupantes do veículo conseguiram escapar, mas onze passageiros foram tomados como reféns. Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando o sequestrador enrolou um lençol na cabeça da refém Janaína Neves e simulou disparar contra sua cabeça, ameaçando depois que iria matar outras pessoas. Não obstante a libertação de dois dos sequestrados, as negociações seguiram conturbadas, mesmo porque uma rápida solução com tiro de precisão acabou descartada pelas autoridades governamentais.   Após horas de tensão, Sandro decidiu abandonar o ônibus, usando uma das reféns, a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. Logo na porta, um policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro (PMRJ) tentou alveja-lo com um disparo de submetralhadora, mas acabou atingindo de raspão o queixo da professora Geísa. A reação de Sandro foi abaixar-se e disparar três vezes a queima roupa contra as costas da refém, matando-a. Depois de dominado, o próprio sequestrador acabou morto por asfixia na viatura policial que o retirou do local.
O sequestro do ônibus 174, além de ter sido um dos episódios mais marcantes da crônica policial carioca, também demonstrou que a tropa de elite da PMRJ não dispunha de treinamento necessário para agir naquele tipo de situação. Como resultado de tal constatação, ainda naquele ano, o BOPE começou a dar forma a Unidade de Intervenção Tática (UIT), especialmente organizada e adestrada para intervir em situações que envolvem reféns. A expertise acumulada no decorrer de inúmeras ocorrências desde o fatídico evento com o ônibus 174, tornaram o BOPE da PMRJ uma referência nacional e internacional em procedimentos de progressão em áreas de alto risco. 
Para situações desta ordem a UIT encontra-se estruturada como uma das companhias do BOPE, sendo comandada por um Capitão e reunindo cerca de 75 militares, organizados em uma Equipe de Negociadores, uma muito bem treinada Equipe de Atiradores, formada por snipers policiais altamente capacitados, e um Grupo de Resgate e Retomada (GRR), constituído por quatro times táticos, cada um com oito policiais preparados para intervenções de alto risco. A UIT esteve presente nos esquemas de segurança dos grandes eventos realizados em território brasileiro desde os Jogos Mundiais Militares em 2011, a saber: na Jornada Mundial da Juventude em 2013; na Copa das Confederações 2013; na Copa do Mundo FIFA em 2014; além dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016.


Operador do BOPE da PMRJ participa do esquema de segurança realizado na capital fluminense durante a Copa do Mundo promovida pela FIFA em 2014. (Ilustração: Anderson Subtil, para a seção "Arquivo Histórico FOpEsp").

Este graduado do GRR está vestido com o Army Combat Uniform (ACU) na cor preta, comum a todos os quadros operacionais do BOPE, sobre o qual utiliza um colete a prova de balas Nível III e uma veste tática tipo MOLLE (Modular Light-weight Load-Carrying Equipment, ou Sistema Modular de Transporte Leve), com fixações, entre outras coisas, para munição 5,56mm e seu equipamento de comunicação. Sobre o cinto de lona pendem uma bolsa para a máscara contra gases e um coldre tático para a pistola, ambos presos às pernas por correias de lona. O restante do equipamento individual inclui luvas próprias para ações táticas, balaclava e capacete balístico tipo RBR Mach III. Seu armamento compreende uma pistola Taurus PT-100 no calibre policial .40 S&W e a arma longa preferida da UIT, a carabina norte-americana Colt M4 Commando, que dispara projeteis calibre 5,56mm OTAN, neste caso equipado com um visor holográfico EOTech 552 montado em um adaptador sobre a alça de transporte.


Materiais utilizados na confecção da ilustração: A técnica utilizada para o desenho do operador utiliza canetas esferográficas e aquarela líquida preta, posteriormente colorido em computação gráfica (tratamento em CorelDraw).

* Anderson Subtil é natural de Curitiba-PR, onde estudou na Escola de Música e Belas-artes do Paraná. Trabalha como Artista Gráfico, Arte Finalista e Produtor Gráfico, tanto no mercado editorial quanto na indústria gráfica. Atua, paralelamente, como pesquisador autodidata de assuntos militares e de Defesa, com especial interesse na história da Segunda Guerra Mundial, tropas de relevância histórica e unidades especiais. Compõe o grupo de colaboradores das revistas Tecnologia e Defesa e Tecnologia e Defesa  Segurança, respondendo ainda pela correspondência da afamada revista Espanhola Soldiers RAIDS no Brasil. 




segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Cronologia Histórica das Operações Especiais Brasileiras

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Figura 1: Banner de Divulgação do infográfico apresentando a Timeline das Operações Especiais (OpEsp) Brasileiras. (Fonte: Elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa).

Os brasileiros não têm memória, não conhecem, valorizam nem cultuam sua própria história. Ainda que essa afirmação não coincida totalmente com a verdade, ela está muito próxima dela. Personagens e fatos relevantes de um passado ainda pouco distante são pouco conhecidos pelas novas gerações, enquanto eventos e figuras marcantes de épocas remotas são absolutamente ignoradas pela sociedade contemporânea. Mesmo entre àqueles que possuem conhecimento, não é raro que passagens históricas sejam tratadas com desdém, deturpadas para se adequar a algum viés ideológico, ou simplesmente abordadas com o deboche próprio da personalidade “divertida” dos brasileiros, que segundo o dramaturgo Nelson Rodrigues é fruto da inferioridade (complexo de vira-lata) em que o povo brasileiro se coloca, voluntariamente, face do resto do mundo. Ainda que esse artigo não tenha qualquer pretensão de discutir essa limitante característica do caráter nacional, propomos que cada um faça sua autocrítica promovendo uma profunda reflexão sobre esse tema.
Pouco antes de iniciar minhas férias de final de ano, fui incitado por um amigo que é operador de uma das mais conceituadas tropas especiais das Forças Armadas de nosso país, a desenvolver um trabalho que integrasse os fatos históricos relevantes de cada uma das Forças de Operações Especiais (FOpEsp) das três Forças Singulares. Na ocasião de nossa conversa, meu amigo destacou a dificuldade de se estabelecer um consenso relacionado à datas, principalmente, em virtude da divergência de opinião entre os representantes de cada unidade, discordância essa potencializada pela rivalidade velada própria da comunidade de Operações Especiais (OpEsp).
Como Historiador que estuda o passado em seus vários aspectos (economia; sociedade; linguagem; cultura; cotidiano; entre outros) e interpreta criticamente os acontecimentos, buscando resgatar a memória da humanidade e ampliar a compreensão da condição humana, me senti impelido a tentar trazer luz à esta questão investigando os pormenores históricos das unidades de elite militares nacionais. Sem pretender ser um trabalho conclusivo sobre o tema, essa análise histórica resultou em um infográfico que apresenta a “Linha do Tempo das Operações Especiais Brasileiras”. Como ponto de partida, optei por iniciar essa Timeline tendo como referência à Primeira Invasão Holandesa no Brasil (1624-1625), balizada pelas ações de emboscada conduzidas pelos “Capitães de Assalto” para expulsar os invasores batavos de Salvador, cidade baiana  que à época notabilizava-se como sendo a capital da colônia. A justificativa para essa escolha recai sobre a definição de OpEsp apresentada no Glossário das Forças Armadas, publicada em 2015 pelo Ministério da Defesa/Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (MD/EMCFA), segundo o qual apresenta as OpEsp como sendo:  

“Operações conduzidas por forças militares, especialmente organizadas, adestradas e equipadas, visando a consecução de objetivos políticos, econômicos, psicossociais ou militares relevantes, preponderantemente, por meio de alternativas militares não convencionais. [...}”

Assim sendo, por executar ações de guerra consideradas como sendo fora dos padrões convencionais para a época, as “Companhias de Emboscadas” que libertaram Salvador do domínio holandês no século XVII são consideradas  como sendo as primeiras ações militares executadas por tropas brasileiras levadas à efeito como uma OpEsp. 
Um país que pretende ser percebido por outros atores como um importante referência no cenário internacional deve, inicialmente, estudar e disseminar as diferentes fases de sua história com comprometimento ético e rigor científico reconhecendo erros e orgulhando-se de suas conquistas. Espero, sinceramente, que o presente estudo agregue valor à discussão histórica inerente às OpEsp e contribua para a diversificação desse conhecimento específico. 

Figura 2: Infográfico abordando a Timeline das OpEsp Brasileiras (Fonte: Elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa).


  

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Informativo FOpEsp, nº 23

Formatura do CAMECO/C-Esp-MEC da Marinha do Brasil

Fotografia 1: Instrutores (parte superior) e alunos (parte inferior) durante cerimônia de brevetação do Turno 43 do CAMECO/C-EspMEC realizada no "Coliseu" local icônico para todos os integrantes da comunidade de Mergulhadores de Combate (MEC) da Marinha do Brasil. (Fonte: Foto de Rodney Alfredo P. Lisboa).

Na manhã do último dia 14/12/17, ocorreu, nas dependências da BACS (Base Almirante Castro e Silva) na Ilha de Mocanguê, região de Niterói-RJ, a cerimônia de formatura do Turno 43 do Curso de Aperfeiçoamento de Mergulhadores de Combate para Oficiais (CAMECO) e Curso de Especial de Mergulhadores de Combate (C-Esp-MEC). Conduzido pelo Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), o CAMECO/C-Esp-MEC é considerado como um dos mais intensos e prolongados cursos de capacitação de Elemento de Operações Especiais (ElmOpEsp) do país. 
Para conquistar o almejado brevê dos "tubarões", os candidatos tiveram que superar as três exigentes fases do curso (Mergulho Autônomo [incluindo a temida "Semana do Inferno"; Operações Terrestres; Sobrevivência, Fuga e Evasão) sendo levados aos limites de suas capacidades física e mental no intuito de selecionar àqueles que têm o conjunto de atributos necessários para cumprir com os objetivos estabelecidos, operando coletivamente em situações de extremo risco e sensibilidade.
Em conformidade com o percentual histórico de concluintes (25 a 30% do total de ingressantes), na cerimônia da turma de 2017, foram brevetados nove de um total de 38 candidatos que iniciaram o curso no Centro de Educação Física Adalberto Nunes (CEFAN) no distante mês de abril de 2017. 
O blog FOpEsp felicita o corpo de instrutores e parabeniza os mais novos MECs da Marinha do Brasil.


FORTUNA AUDACES SEQUITUR!


Fotografia 2: A bandeira do Turno 43 antes do descerramento da placa alusiva ao CAMECO/C-Esp-MEC 2017. (Fonte: Foto de Rodney Alfredo P. Lisboa).


Fotografia 3: As "cruzes" dispostas lado a lado representam cada um dos candidatos que desistiram do curso e ficaram pelo caminho. (Fonte: Foto de Rodney Alfredo P. Lisboa).


Publicação de Artigo


Fotografia 4: Quadros operacionais da 3ª Companhia de Forças Especiais (3ªCiaFEsp), também conhecida pelo termo FORÇA 3, em exercício de adestramento na região amazônica. (Fonte: Acervo da 3ªCiaFEsp).

Informo a todos os seguidores do blog FOpEsp que a Revista Segurança e Defesa em sua última edição (nº 128, p. 34-38), publicou artigo com o título:


"FORÇA 3: OpEsp do Exército na Amazônia"

Escrito em parceria com o Tenente Coronel Sérgio Oliveira, atual comandante da unidade, o presente artigo aborda os pormenores da 3ª Companhia de Forças Especiais (3ªCiaFEsp), bem como desafio de conduzir a modalidade de guerra não convencional na região amazônica, cujo vasto território, diversidade biológica e riquezas naturais são fundamentalmente importantes aos interesses estratégicos do Brasil.

Fotografia 5: Capa da edição nº 128 da Revista Segurança e Defesa. (Fonte: Acervo da Revista Segurança e Defesa).


Mensagem de Final de Ano


Prezados amigos, chegamos ao final de 2017 computando perdas e ganhos. No cálculo geral, ainda que o ano tenha se arrastado com causas constantes de desanimo e grandes dificuldades para a maioria dos brasileiros, ele chega ao fim indicando melhores perspectivas para 2018. O ano que se aproxima é significativamente importante para cada brasileiro, pois nos oferece uma sólida possibilidade de começar um processo de mudança. Nas urnas, teremos a possibilidade de assumir responsabilidades exercendo nossa cidadania de forma crítica e altruísta na tentativa de promover a evolução do nosso país e do nosso povo. Entretanto, é fundamentalmente importante que cada brasileiro saiba que essa transformação é um processo que se inicia de forma intrínseca, com a busca constante pelo autoconhecimento e auto aperfeiçoamento, que se reflete nas atitudes, opiniões e relações interpessoais. Nesse sentido, nossos modelos de referência moldam nosso caráter e ajudam a nortear nossas escolhas. Precisamos ter um somatório de conhecimentos que nos capacite a fazer nossas escolhas com profundidade analítica e objetivando o bem comum. O destino que ambicionamos depende das escolhas que fazemos e das decisões que tomamos!
Que este Natal seja a oportunidade de relembrar os obstáculos que enfrentamos, as dádivas, conquistas e experiências que vivenciamos, um momento de reflexão sobre a importância do comprometimento para conosco, nossas famílias, nossos amigos, nosso país e nosso futuro. Que nossos corações estejam abertos para o exercício da consciência crítica, da sabedoria, da tolerância e do perdão.  






segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Conceito de Alta Performance Aplicado à Atividade de Operações Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa



Fotografia 1: Quadros operacionais do Comando Especial das Forças Armadas (Forsvarets Spezialkommando [FSK]) da Noruega participam de um adestramento de ação contraterrorista. (Fonte: Disponível em: http://www.difesaonline.it/mondo-militare/siria-la-norvegia-schiera-60-operatori-dei-reparti-speciali Acesso em: 18 nov. 2017).


Na acepção do termo a expressão “alta performance” refere-se ao comportamento do indivíduo ao realizar determinada atividade, sendo esse comportamento influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos, valendo-se do máximo potencial das capacidades humanas para a execução das tarefas a serem efetuadas. No contexto das Operações Especiais (OpEsp), o alto desempenho envolve, sobretudo mas não somente, o conjunto de capacidades humanas (física, intelectual e psicológica), que somado ao agrupamento de valores morais, conferem ao Elemento de Operações Especiais (ElmOpEsp) o cabedal formativo necessário para que possa conduzir ações de natureza crítica e arriscada.  
Independentemente da forma como os Estados patrocinadores consideram o emprego de suas FOpEsp (Forças de Operações Especiais), dos procedimentos doutrinários adotados por cada unidade, ou do aparato tecnológico (armas e equipamentos) que lhes é disponibilizado, a eficiência das OpEsp está centrada na capacidade do indivíduo operar em favor da equipe em que encontra-se inserido visando a consecução dos objetivos que lhes são atribuídos.
Em se tratando de OpEsp, a alta performance do ElmOpEsp é fruto de uma intrincada combinação de fatores que envolve: o conjunto de experiências assimiladas pelo indivíduo ao longo da vida; o processo de seleção e treinamento bem estruturado; o sistema de formação progressiva e continuada (sistemática); o estabelecimento de vínculos de comprometimento nos níveis individual, coletivo e institucional; o desenvolvimento de uma profunda coesão (confiança) com os companheiros de equipe; além de engajamentos reais que permitam experimentações variadas em diferentes cenários.
É imperativo esclarecer que a eficiência das FOpEsp depende, fundamentalmente, de outros componentes e não se limita apenas aos aspectos inerentes à tropa, por mais bem preparada e motivada que ela se mostre ser. Para que as competências dos ElmOpEsp sejam exploradas no mais alto nível de rendimento, é imperativo: que a tropa comprometa-se com operações que estejam em conformidade com o nível de condução do enfrentamento (político; estratégico; operacional; tático) para o qual é vocacionada; adote doutrinas de emprego compatíveis com a tipologia dos engajamentos em que se envolve; tenha à sua disposição recursos tecnológicos de última geração (estado da arte); desenvolva capacidade para operar suportando ou sendo suportada por forças convencionais; atue de forma combinada em um sistema que integra expertises de agências distintas (militares e civis); opere valendo-se de capacidade C2 (Comando e Controle) de modo a assegurar um gerenciamento operacional adequado aos requisitos da missão; bem como da relação entre o volume, a intensidade, e o tempo de engajamento.  

Fotografia 2: Operadores da 26ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais com Capacidade de Operações Especiais (26th Marine Expeditionary Unit Special Operations Capable [26th MEU SOC]) durante exercício de tiro com pistola na Jordânia em 2013. (Fonte: Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/26th_Marine_Expeditionary_Unit Acesso em: 18 nov. 2017). 

O alto desempenho operativo que caracteriza uma diversidade de unidades especiais que atuam no cenário internacional ocorreu a partir de um gradativo processo de transformação da percepção e atitude, partindo dos ElmOpEsp para com eles próprios e posteriormente da sociedade militar para com a atividade OpEsp. O sentimento mútuo de desprezo entre os quadros operacionais das OpEsp e das tropas regulares que, não sem motivo, caracterizou as relações passadas, sofreu um revés quando as unidades de elite tiveram que  ser suportadas por forças convencionais devido às exigências do engajamento. O conceito de Special Forces Centric Warfare (Guerra Centrada nas Forças de Operações Especiais) difundido, principalmente, por ocasião da Guerra Global contra o Terrorismo, conduzida pelos EUA e seus aliados após os atentados de 11 de Setembro de 2001, arrefeceu as diferenças históricas que caracterizavam as relações entre as OpEsp e as tropas convencionais, levando os Estados engajados no conflito a adaptarem-se à nova realidade, criando condições para que as forças regulares desenvolvessem competências que permitisse mobilizar toda sua panóplia militar em favor do desempenho das FOpEsp. Por sua vez, coube aos ElmOpEsp a incumbência de assumir sua conduta prepotente despojando-se da convicção autossuficiente, de modo a reconhecer a extrema relevância do apoio ofertado pelas tropas convencionais à atividade OpEsp.  
Em última análise, assim como ocorre em qualquer segmento profissional, no que concerne às OpEsp, operar em alta performance consiste no esforço para mobilizar todos os recursos (do indivíduo, da equipe, da unidade, da instituição, e do Estado) no intuito de alcançar os objetivos/atribuições reduzindo ao máximo as possibilidades de fracasso.






domingo, 12 de novembro de 2017

Informativo FOpEsp, nº 22

I Curso de Operações Especiais da Polícia Militar do Piauí
I COESP/PMPI

Fotografia 1: I Curso de Operações Especiais da Polícia Militar do Piauí (I COESP/PMPI). (Fonte: Acervo do Batalhão de Operações Policiais Especiais [BOPE] da PMPI).

A Polícia Militar do Piauí (PMPI), por meio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), está realizando o I COESP (Curso de Operações Especiais) com a finalidade de qualificar os alunos a conduzir ação policiais de natureza não convencional de modo a formar os quadros operacionais que irão compor o efetivo do BOPE/PMPI e unidades análogas de outros estados brasileiros que se fazem representar no curso. Com duração de quatro meses e meio, o COESP/PMPI iniciou suas atividades contando com 43 alunos oriundos dos estados Piauí, Acre, Pará, Mato Grosso e Amazonas, e encontra-se estruturado em 4 módulos distintos ministrados em diferentes regiões do país:

1° Módulo (BOPE/PMDF [Brasília]) -  Instruções de atendimento de ocorrências com explosivos, arrombamento com cargas explosivas e operações subaquáticas, com técnicas de orientação submersa, técnicas de varreduras e mergulho em águas profundas.

2° Módulo (BOPE e GRAER/PMGO [Goiânia]) – Operações helitransportadas, tiro policial de precisão, além de intercâmbio com o Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro.

3° Módulo (BOPE/PMMG {Belo Horizonte]) – Instrução de contraterrorismo contendo as com as seguintes expertises: fenômeno do terrorismo, ameaças e proteção QBRN (Química, Bacteriológica, Radiológica e Nuclear), técnicas de entrevista, interrogatório, vigilância e intervenção tática contraterror.

4° Módulo (BOPE/PMBA [Salvador]) – Instruções de Montanha, Paraquedismo, além de assalto tático a tubulares (avião e metrô).


Fotografia 2: Professor Rodney Lisboa (editor do blog FOpEsp) assiste a uma instrução do 3° módulo do I COESP/PMPI (contraterrorismo)ministrada nas dependências do BOPE da Polícia Militar de Minas Gerais em Belo Horizonte. (Fonte: Acervo de Rodney Alfredo P. Lisboa).

 Ao final do curso, já ostentando o almejado conjunto de brevê (distintivo) e título de “Caveira”, o operador policial estará apto a operar em ocorrências complexas  de alto risco características da região Nordeste, tais como: roubos de caixas eletrônicos com uso de explosivos; roubos a bancos com presença de reféns; rebeliões em presídios com presença de reféns; apoio às unidades de área ou junto a outras organizações policiai que requeiram o emprego de tropa especializada.

Figura 1: Emblema do BOPE/PMPI. (Fonte:Acervo do BOPE/PMPI). 






terça-feira, 31 de outubro de 2017

Operações da Blackwater Aviation Durante a Guerra do Iraque (2003-2011)

Texto elaborado por Francisco Paulo Costa da Silva*  

Fotografia 1: Helicópteros modelo MD 500 Little Bird empregado pela Blackwater Aviation no Iraque como plataforma de Apoio de fogo (Fonte: Disponível em: https://www.rt.com/usa/189684-blackwater-private-army-isis/ Acesso em: 19 set. 2017).           

A partir da eclosão da guerra do Iraque em 2003, as Companhias Militares Privadas (Private Military Companies [PMC]) alcançaram um nível de protagonismo nunca visto antes em conflitos modernos. Após contratos assinados entre o governo americano e seus altos executivos, essas empresas executaram tarefas dignas de forças armadas. Escolta de comboios e segurança em embaixadas foram as missões mais visíveis, dada a exposição que tiveram na grande imprensa, fruto de episódios controversos que essas empresas protagonizaram naquele momento. Entretanto, houve o serviço de escolta e apoio aéreo aproximado levado a cabo pela Blackwater Aviation Unit, unidade de aviação operacional da antiga Blackwater, que, apesar de ser um serviço bem menos visível, impactou fortemente na execução de ações de segurança privada naquele teatro de operações.
Em 2011, a empresa foi vendida para um grupo de investidores privados que mudou seu nome para Academi. Com isso, a Blackwater Aviation tornou-se EP Aviation, associando-se ao grupo Constellis Holding que junto a Triple Canopy tornaram-se os maiores conglomerados de segurança privada, amealhando os principais contratos de segurança dentro do Departamento de Estado e de Defesa dos EUA.
A divisão aérea da Blackwater foi criada para prover apoio aéreo às operações conduzidas no Iraque e em outros cenários, onde o esforço de guerra ao terror era necessário. A frota era dividida em esquadrão de asas fixas e de asas rotativas, com o objetivo de proporcionar transporte de pessoal e apoio de fogo, respectivamente. Nos últimos anos, a empresa comprou um avião Super Tucano para as operações de contra insurgências no Afeganistão e aeronaves de transporte para apoio logístico nos diversos teatros de operações, especialmente nas ações no Oriente Médio e África. 
A maioria dos pilotos e operadores contratados pela antiga Blackwater era oriunda de equipes especiais das forças armadas e das polícias dos EUA. Geralmente, eram ex-militares com experiência em pilotagem de combate ou mesmo policiais que tenham pertencido a alguma unidade aérea de natureza policial. No caso dos Operadores Aerotáticos (atiradores de porta), dava-se preferência a ex-integrantes de unidades de operações especiais que, de certo modo, tivessem experiência com helicópteros. Membros do 160° Regimento de Aviação de Operações Especiais do Exército norte-americano (160th Special Operation Aviation Regiment [160th SOAR]), e Pararescue Jumper (PJ), os famosos paraquedistas de resgate da Força Aérea dos EUA (US Air Force [USAF]), eram os mais cotados para preenchimento de vagas na empresa. Contudo, Rangers e Special Forces (Boinas Verdes) do Exército e os SEALs da Marinha eram bem aceitos também.
O armamento utilizado nos helicópteros, basicamente, eram fuzis calibre 5.56 mm e a famosa metralhadora leve M 249 MINIMI, no mesmo calibre. Cada operador portava uma M 249 em ambas as portas da aeronave. Os pilotos também portavam um fuzil como backup.
A equipe básica embarcada consistia em dois pilotos e dois operadores para cada helicóptero.
Em 2003, os helicópteros foram utilizados para promover segurança em larga escala a comboios em que estava o administrador especial do Iraque, Paul Bremer, ou a outros membros do corpo diplomático cobertos pelos contratos. Basicamente, a operação consistia em dois veículos blindados Hunvees tomando a segurança à frente e dois à retaguarda. A autoridade se posicionava no veículo blindado ao centro. A missão dos dois helicópteros era de prever quaisquer contingências no percurso, escolher uma rota alternativa ou, caso o comboio fosse atacado, extrair a autoridade para um outro lugar.
Segundo procedimentos-padrões da empresa, os disparos de arma de fogo eram realizados somente de forma defensiva para  rechaçar ameaças armadas e proporcionar uma estração  segura ao VIP (Very Important Person).  Essa concepção de missão é semelhante à usada pela Coordenação de Aviação Operacional (CAOP), unidade aérea da Polícia Federal (DF) do Brasil em operações de escolta de comboios.

Figura 1: Esquema de manobra de uma missão de segurança de comboio realizada pela Blackwater Aviation durante a Guerra do Iraque (2003-2011). (Fonrte: Disponível em: https://pt.slideshare.net/b-cool/mission-impossible-or-what-it-takes-to-protect-ambassador-in-iraq Acesso em: 26 set. 2017).

A seguir são elencadas duas das principais missões executadas pelos operadores da Blackwater Aviation:

Resgate do embaixador da Polônia: No dia 3 de outubro de 2007, em Bagdá, o comboio do embaixador da Polônia no Iraque foi atacado com explosões de artefatos explosivos improvisados e disparos de fuzis, o que resultou na morte de um segurança, deixou nove feridos, bem como deixou 40% do corpo do embaixador queimado. Embora a Blackwater não fosse a responsável pela segurança do comboio, eles foram acionados e realizaram um ousado resgate em meio ao perigo de serem alvejados por foguetes e por fogos de armas leves.

Fotografia 2: Contratistas da Blakwater engajados na operação de resgate do embaixador polonês. (Fonte: Disponível em: http://blackwaterbirds.blogspot.com.br Acesso em: 20 set. 2017).

Operação de ressuprimento e combate nos céus de Najaf, Iraque: No dia 04 de abril e 2004, a cidade de Najaf, um centro de peregrinação Xiita, foi  afetada por uma grande revolta contra a ocupação americana no Iraque, conduzida  pelo clérigo  Muqtada Al Sadr, religioso muito influente na cidade. Uma das principais missões da Blackwater era de promover a segurança predial da sede regional da autoridade iraquiana, alvo da revolta dos militantes Xiitas. Passadas várias horas de combate, os contratistas e militares ficaram sem munição, precisando urgentemente de ressuprimento e de evacuação aeromédica de um Fuzileiro Naval (Marine) norte-americano. Após contato com o centro de comando e controle foi autorizado o voo de três helicópteros para levar munição e efetivos para o telhado do escritório da ocupação. Pela primeira vez, militares e contratista combateram lado a lado contra um inimigo comum.

Fotografia 3: Aeronave à serviço da Blackwater Aviation efetua operação de ressuprimento aéreo para os contratistas posicionados nos telhados de edificações da cidade de Najaf, Iraque. (Fonte: Disponível em: http://wealllook.blogspot.com.br/2005/08/blackwater-contractors-in-najaf.html Acesso em: 26 set. 2017).            

Em 23 de janeiro de 2007, uma equipe da Blackwater que estava escoltando autoridades americanas até a Zona Verde em Bagdá foi atacada por militantes islâmicos com fogos de várias armas semiautomáticas. Após pedido de ajuda ao centro de comando e controle da empresa, foram enviados dois helicópteros para apoiar a equipe terrestre. Ao chegar no local do ataque, um dos helicópteros envolveu-se em um intenso tiroteio, vindo a fazer um pouso forçado, enquanto um dos atiradores do segundo helicóptero foi atingido mortalmente com tiro de armas leves. De acordo com militares que chegaram ao lugar da queda do primeiro helicóptero, foi observado que todos os contratistas estavam com marcas de tiros pelo corpo, não sabendo se foram atingidos ainda no ar ou após a caída da aeronave.
Por um lado, o desempenho da Blackwater Aviation no Iraque foi deveras positivo em vista de seu objetivo, que era prover segurança a membros do Departamento de Estado dos EUA. Mostrou também que bons equipamentos alinhados ao emprego de ex-membros de forças especiais se constituiu uma fórmula de sucesso, a qual proporcionou coesão e espírito de corpo a essas empresas, a despeito de suas características privada e comercial. Analisando-se alguns aspectos doutrinários, houve um grande avanço acerca do emprego de pequenas frações helitransportadas em ambientes conflagrados, colocando em evidência um dos conceitos que mais cresce no ambiente das Operações Especiais (OpEsp), que é a capacidade de unidades aéreas conduzirem OpEsp, apesar de sua característica de apoio.

Fotografia 4: Aeronave CASA 212 utilizada pela Blackwater Aviation sobrevoa o Afeganistão lançando suprimento para as tropas americanas. (Fonte: Disponível em: https://inlightofrecentevents.wordpress.com/american-empire-the-costs-etc/blackwater-or-xe-and-other-affiliate-and-mercenaries/ Acesso em: 21 set. 2017).

A partir de outro ponto de vista, a participação da Blackwater no esforço de Guerra no Iraque foi, em grande medida, bastante controversa. Houve várias denúncias de violações de direitos humanos cometida por seus empregados, tendo como consequência o julgamento de alguns contratistas pelo episódio da praça Nisour, ocorrido em 16 de setembro de 2007 em Bagdá, ocasião em que 17 civis iraquianos foram mortos por guardas da Blackwater que estavam escoltando um comboio diplomático. Entretanto, não devemos esquecer que o serviço militar privado será cada vez mais demandado para realizar tarefas que exércitos formais não gostariam de fazer, ou mesmo para preencher lacunas no campo de batalha. Afinal, uma das grandes características das guerras de 4ª geração é a atuação de agentes não estatais no conflito. Sabe-se bem que isso já é uma tendência que mostra a evolução do combate nos tempos modernos, em que o poder militar e agentes privados civis estarão cada vez mais juntos utilizando-se da expertise, táticas e técnicas de ex-membros de forças especiais como forma de conter ameaças assimétricas e consequentemente lograr êxito em seus objetivos estratégicos.


Francisco Paulo Costa da Silva é policial federal desde 2004, ano em que concluiu o curso de papiloscopista na Academia Nacional de Polícia. Atualmente exerce a função de líder da equipe de operadores aerotáticos (atiradores da porta do helicóptero) da CAOP (Coordenação de Aviação Operacional) da Polícia Federal (PF). É graduado em História pela Universidade de Pernambuco e cursa pós-graduação em Relações Internacionais pela Damásio Educacional. Na PF participou do curso de operações aerotáticas, bem como do curso de atirador designado aerotático. Frequentou o Curso de Comandos Jungla (Polícia Nacional da Colômbia) além do curso de operações antidrogas pela School of the Americas (Escola das Américas) atual WHINSEC (Western Hemisphere Institute for Security Cooperation, ou Instituto do Hemisfério Ocidental para Cooperação em Segurança). Cursou o Estágio de Operação e Sobrevivência em Área de Caatinga (72º BIMtz [72º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército Brasileiro) e o Estágio de Atirador de Precisão (BOPE [Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM-RJ).