terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A Utilização da "Numérica" como Código para Identificação de Elementos de Operações Especiais

Texto elaborado por Rodrigo Araújo Ferreira*  

Fotografia 1: Quadros Operacionais do MARSOC (Marine Corps Special Operations Command [Comando de Operações Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA]) realizando exercício de tiro. O operador em primeiro plano utiliza um patche com um código alfanumérico próprio dos MARINES. (Fonte: Disponível em: https://www.foxnews.com/tech/weapons-upgrade-set-to-make-us-special-operations-even-more-deadly Acesso em: 15 dez. 2018).

Por definição “número” é um instrumento da matemática empregado com finalidades distintas resultantes de processos de contagem, medição, ordenação e/ou codificação. Considerado como uma forma de identificação eficiente, os números têm sua utilização difundida nas Forças Armadas (FFAA) e Forças de Segurança Pública (FSP), sobretudo, como indicativo visual.
Para se ter uma ideia da longevidade do emprego de números como forma de identificação de tropas militares, as Legiões Romanas, cuja organização formal data das Guerras Samnitas que antagonizaram a República Romana e os Samnitas (indo-europeu que habitava a península itálica) entre 343 e 290 a.C., eram reconhecidas por simbologia expressa por números e nomes (ex. Legio I GermanicaLegio II SabinaLegio III GallicaLegio VI VictrixLegio VIII Augusta, etc.).  

Figura 2: Legionários romanos em marcha. Em segundo plano, é possível observar o Signiferi transportando o Vexillum (estandarte) da Legio X Equestris. (Fonte: Disponível em: https://www.artstation.com/artwork/caesar-in-gaul Acesso em: 15 dez. 2018).

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) algumas tropas valiam-se da utilização de números para definir postos hierárquicos, diferenciando os comandantes e seus comandados.
Por ocasião da denominada “Operação Overlord” (popularmente conhecido como “Dia D”), levada à efeito em 6 de junho de 1944 em decorrência da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as tropas aerotransportadas norte-americanas que desembarcaram na Normandia (região noroeste da França) para confrontar as forças da Alemanha Nazista eram identificadas por números.
No contexto contemporâneo, a utilização da numérica no uniforme (colete, capacete e fardamento) funciona como um código empregado com a finalidade de transmitir mensagens de forma oculta, podendo ser compreendida apenas pelas pessoas que conhecem o código em questão.  
No âmbito operativo, a numérica tem por objetivo básico identificar o operador tático (atua taticamente em equipe de forma homogênea e uniformizada) e/ou especial (atua taticamente em equipe de forma heterogênea e não-necessariamente uniformizada) de forma mais rápida, ágil e eficaz em situações de enfrentamento e/ou crise, favorecendo no direcionamento de atribuições uma vez que a unidade de comando (autoridade de direção e controle da força atribuída a uma só pessoa sendo qualquer militar/policial subordinado a um único chefe superior) não pode ser comprometida, assim como a verbalização de ordens não podem ser mal interpretada. 
Embora seu uso tenha padronização que varia de unidade para unidade, a numérica é utilizada genericamente com base no trinômio Simplicidade, Sigilo e Segurança. Seu emprego, além da função primária de identificação, busca assegurar discrição tanto no que concerne à missão realizada quanto à identidade do militar/policial que dela participa.

Fotografia 3: Dupla de operadores do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro) em ação conduzida no complexo de favelas do Alemão, localizado na capital fluminense. Ambos apresentam o código numérico afixado à parte frontal do colete. (Fonte: Disponível em: https://extra.globo.com/casos-de-policia/operacao-do-bope-no-complexo-do-alemao-tem-ao-menos-cinco-mortos-dois-feridos-21293673.html Acesso em: 15 dez. 2018.).  

Especialistas na condução da modalidade de Guerra Irregular, os Special Forces Groups (Grupos de Forças Especiais) do Exército norte-americano é apenas um exemplo de tropa que se vale de códigos alfanuméricos como elemento de identificação e comunicação. Na comunidade estadunidense das Special Forces, especificamente, os operadores têm um conjunto específico de habilidades constituído a partir de sua MOS (Military Occupational Specialty [Especialidade Ocupacional Militar]), código de nove caracteres usado pelo Exército e Corpo de Fuzileiros Navais para identificar uma tipologia de trabalho adequada a cada militar. Para se qualificarem nos MOS, os operadores devem frequentar o SFQC (Special Forces Qualification Course [Curso de Qualificação das Forças Especiais]) com duração de até dois anos, dependendo da MOS. Após completarem o SFQC, os operadores são designados para um ODA (Operational Detachment Alpha [Destacamento Operacional Alfa) em um dos cinco Grupos de Forças Especiais. Um típico ODA constituído por doze operadores comporta as seguintes MOS: 18A (Oficial Comandante de Destacamento); 180A (Oficial Subcomandante de Destacamento); 18Z (Sargento de Operações); 18F (Sargento de Inteligência); 18B (2 Sargentos de Armamentos); 18C (2 Sargentos de Engenharia/Demolições); 18D (2 Sargentos de Saúde); 18E (2 Sargentos de Comunicações).
Na identificação dos operadores envolvidos em uma dada missão, a numérica expressa nos uniformes auxilia a prover informações precisas de modo a direcionar o curso das ações reduzindo ao máximo as possibilidades de erro devido a eventuais falhas na comunicação.

Rodrigo Araújo Ferreira é policial vinculado ao GATE (Grupamento de Ações Táticas Especiais) da PMPB (Polícia Militar da Paraíba). Policial militar desde 2012, o autor frequentou o CATE (Curso de Ações Táticas Especiais) em 2016, possui graduação em Geografia e atualmente é bacharelando em Direito. 








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