terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 1)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).


Fotografia 1: Caçador do Exército Brasileiro (EB) engajado em operação conduzida no Complexo de Favelas do Alemão, localizado na cidade do Rio de Janeiro-RJ. (Fonte: Acervo do COpEsp).

A Brigada de Operações Especiais (BdaOpEsp) do Exército Brasileiro foi criada em 2002 de acordo com o Plano de Reestruturação da Força Terrestre. Posteriormente, em 2013, a BdaOpEsp veio a transformar-se no Comando de Operações Especiais (COpEsp), sediado em Goiânia-GO. O COpEsp possui em sua estrutura 03 Organizações Militares (OM) de emprego, o 1º Batalhão de Forças Especiais (1º BFEsp), o 1º Batalhão de Ações de Comandos (1º BAC), ambos localizados na sede do COpEsp, e a 3ª Companhia de Forças Especiais (3ª Cia FEsp), localizada em Manaus-AM. Cada uma de suas OM operacionais possuem frações básicas de emprego extremamente peculiares, os Destacamentos Operacionais de Forças Especiais (DOFEsp) nas OM FEsp e os Destacamentos de Ações de Comandos (DAC) no 1º BAC. Essas OM possuem um preparo específico, muito embora, em alguns casos, o emprego conjunto, formando os Destacamentos de Operações Especiais (DOE), tem se mostrado eficaz.
Até então, a atividade de caçador era exercida de maneira individual e pontual dentro dos DOFEsp ou DAC por aqueles que apresentavam certa aptidão para o tiro esportivo de arma longa ou que tinha experiência de caça em sua vida pregressa. A doutrina do emprego do Caçador, sobretudo o de Operações Especiais, ainda formava seu alicerce para ganhar o destaque dos dias atuais. Dessa forma, verificou-se a necessidade das OM do COpEsp ter em seu organograma um fração híbrida capaz de apoiar as ações diretas através do reconhecimento especial e do tiro seletivo a longa distância.
Neste ínterim surgiu o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC), fração com adestramento peculiar que visa obter e transmitir informações necessárias ao apoio às ações do 1º BAC e realizar ação direta seletiva com tiro de precisão. O DRC constituiu-se efetivamente a partir de meados de 2007, em que pese estar previsto no Quadro de Cargos Previstos (QCP) do 1° BAC desde 2004, quando o batalhão foi criado. À reboque da criação do DRC, surgiu o 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais (5º DOFEsp), fração do 1º BFEsp vocacionada para as ações de Reconhecimento Especial e tiro seletivo de longa distância, sobretudo no combate urbano. Os militares mais experientes nas ações de comandos e operações de forças especiais foram selecionados para comporem os Destacamentos, cada um à sua OM. Os integrantes desses destacamentos são altamente adestrados, preparados e maduros. São dotados de excelentes habilidades para resolver problemas e agilidade mental para atuar nas mais fluídas situações.


Fotografia 2: Controlador da Equipe de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) operando Sistema de Comando e Controle. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Como consequência da observação de diversas operações e fruto de experiências internacionais de intercâmbios e cursos, verificou-se que o tradicional efetivo da dupla de caçadores não mais atendia às necessidades operacionais das missões recebidas. Por esse motivo, o DRC e o 5º DOFEsp passaram ter seu organograma constituído por Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp). A composição da EqpCçdOpEsp foi reajustada para quatro elementos: o Caçador, responsável pela realização do tiro de precisão; o Observador, militar mais experiente, responsável pelo auxílio direto ao atirador; o Auxiliar de comunicações, responsável pela transmissão de dados e por operar o diversos meios de comunicação orgânicos da equipe e; o Auxiliar de saúde, responsável pela segurança da posição e por prestar os primeiros socorros aos integrantes da equipe, caso seja necessário. Uma pequena distinção se faz entre as Equipes do DRC e do 5º DOFEsp. Devido ao fato das Equipes de Caçadores (EqpCçd) do DRC atuarem, prioritariamente, em apoio às ações do 1º BAC e de maneira isolada, suas Eqp possuem um Comandante, sendo ele Oficial ou Sargento, de acordo com a demandas específicas da missão, e este obrigatoriamente com o curso de Forças Especiais. Já as equipes do 5º DOFEsp, por possuírem seus caçadores com a formação de Operador de Forças Especiais, essa necessidade relativa às questões específicas às Op FEsp passam a ser supridas, não excluindo a possibilidade de incluir eventualmente um militar para comandar uma EqpCçd OpEsp.


Fotografia 3: Fuzil de Precisão de Ação Manual de dotação do DRC e 5º DOFEsp, modelo MSR, multicalibre .300, .308 e .338. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Desde então, o COpEsp emprega suas frações de Caçadores de Operações Especiais para proporcionar informação específica, precisa, detalhada e em tempo real, de importância estratégica ou operacional, em apoio a outros Destacamentos, a uma Força-Tarefa de Operações de Especiais como um todo ou, ainda, para escalões no processo decisório no nível operacional. Destaca-se o emprego maciço das Equipes de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp como plataforma de informação nas Operações de Contraterrorismo (grandes eventos e segurança de dignitários), de apoio às ações diretas integrando o Destacamento de Operações de Paz (DOPaz) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e nas recentes Operações de Apoio aos Órgãos Governamentais (OAOG) na cidade do Rio de Janeiro em comunidades com alto nível de insegurança e risco político para as ações.

Continua...


4 comentários:

  1. Parabéns! Excelente explanação! Caveira!!!

    ResponderExcluir
  2. Muito bom! Aguardando a continuação! Força!!!

    ResponderExcluir
  3. Excelente texto! Aguardando ansioso a continuação.

    ResponderExcluir