terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte Final)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).

Fotografia 6: Equipe de Caçadores de Operações Especiais do DRC em posição realizando monitoramento de alvo em ambiente rural (Fonte: Acervo do COpEsp).

Quanto ao emprego tático das Equipes de Caçadores de Operações Especiais, o Comando de Operações Especiais (COpEsp) se vale da preciosa peculiaridade das Forças de Operações Especiais brasileiras, a capacidade híbrida de conhecimento das tropas de Comandos e Forças Especiais, proporcionando ação direta juntamente com inteligência operacional refinada. Essa possibilidade é a principal vertente de emprego dos Caçadores de Operações Especiais, de tal sorte que o COpEsp, atualmente, é referência nacional de planejamento e emprego de Caçadores em Operações de Contraterrorismo, de Reconhecimento Especial e de Combate Urbano. A contribuição das Equipes de Caçadores de Operações Especiais para superioridade da informação, engajamento preciso e proteção da dimensão total de uma área específica, pode ocorrer durante uma resposta à uma crise ou para evitá-la, devido à grande rapidez e mobilidade estratégica do COpEsp e sobretudo, ao planejamento concorrente, atualizado e constante preparo do Destacamento de Reconhecimento de Caçadores (DRC) e 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais (5º DOFEsp).
A formação do Caçador de Operações Especiais é atribuição do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOpEsp), OM subordinada ao COpEsp. O CIOpEsp é o único Estabelecimento de Ensino no Brasil formador dos Caçadores de Operações Especiais, matriculando anualmente alunos das Forças Armadas e dos Órgãos de Segurança Pública. Todos, obrigatoriamente, com as habilidades de Operadores Especiais. O curso ministrado no CIOpEsp difere de outros cursos de Caçador no Brasil justamente pelo caráter peculiar das Operações Especiais. Com duração de 7 semanas, a atividade de ensino possui um rigorosíssimo teste de entrada e seu plano disciplinar abrange desde matérias específicas da técnica de tiro do Caçador até o planejamento de Operações de Ação Direta seletiva e de Contraterror, capacitando caçadores e controladores. O ambiente das instruções favorece a perfeita formação técnica do Caçador, para que nas fases de emprego tático o aluno possua uma vasta gama de conhecimento para ser utilizada como ferramentas para o cumprimento da missão e com alta flexibilidade, característica das Operações Especiais. A atualização pedagógica e doutrinária dos instrutores é constante e baseada em intercâmbios, cursos realizados em outros países e, sobretudo, das experiências colhidas no Brasil.


Fotografia 7: Caçadores de Operações Especiais em Operação no Complexo da Maré empregando o Fuzil de Precisão de Ação Manual modelo PGM Ultima Ratio calibre .308 e Fuzil de Precisão Semi-Automático modelo M-110 calibre .308.(Fonte: Acervo do COpEsp).

Com o passar do tempo verificou-se que na maior parte das operações desempenhadas, fez-se necessário o emprego de mais de uma Equipe de Caçadores em uma mesma Área de Operações. Surgiu então a necessidade de um elemento de coordenação dessas equipes, o Controlador. Esse militar, que deve ser conhecedor das diversas peculiaridades e, principalmente, do emprego tático do Caçador, tem como principal atribuição estabelecer a ligação entre as equipes dispostas no terreno e o escalão superior, assim como aos demais elementos operacionais presentes. Além disso, é o Controlador das Equipes de Caçadores de Operações Especiais quem assessora quanto ao preparo e emprego atinentes a esses elementos. No COpEsp, os controladores, via de regra, são os oficiais comandantes do DRC e do 5º DOFEsp. Eles compões uma célula de comando e controle, capaz de realizar as ligações operacionais e logísticas necessárias entre as equipes em posição, bem como com o escalão superior e contribuir significativamente no esforço de obtenção e produção de conhecimento em tempo real.
Modernos sistemas de coordenação e controle de Caçadores são empregados pelos controladores das equipes de Caçadores com a finalidade de garantir a identificação positiva da ameaça por parte do Gabinete de Crise e uma sinalização correta para a neutralização da ameaça, proporcionando a esse coordenador a visualização dos cenários observados por todas equipes empregadas. A utilização de equipamentos de comunicações de alta tecnologia digital agregada permite que as Equipes possam reportar com precisão e em tempo real diversas informações que conferem não só ao Escalão Superior mas principalmente aos demais elementos operacionais desdobrados no terreno uma ampla consciência situacional e segurança para as ações.




Por todos esses aspectos pode-se observar que o emprego das Equipes de Caçadores de Operações Especiais é extremamente relevante no cenário atual em que as Forças de Defesa e Segurança do Brasil estão envolvidas e que ainda estão por vir. Propiciar a melhor consciência situacional ao Escalão Superior, evitar a ocorrência de uma crise proporcionando segurança para outros destacamentos e, se for necessário, atuar de maneira incisiva para a proteção da vida de outrem, seja ele combatente ou não, passaram a ser tarefas primordiais das Equipes de Caçadores de Operações Especiais do DRC e 5º DOFEsp. Para tanto é necessário um adestramento tão peculiar e detalhado quanto o preciosismo característico de um Caçador, de tal sorte que o emprego tático de uma fração de efetivo tão reduzido, mas com amplas habilidades, possa evitar drásticas consequências estratégicas. Assim sendo, o Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro, por meio do Destacamento de Reconhecimento e Caçadores e do 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais, se nivela com consagradas tropas congêneres internacionais, devido ao fato de possuir frações específicas, que interagem livre de personalismos e vaidades, responsáveis por desenvolver e executar a doutrina dos Caçadores de Operações Especiais no seio do Exército Brasileiro e, complementar sobremaneira o escopo das missões atribuídas ao Comando de Operações Especiais mantendo como foco os ideais dos Comandos e Forças Especiais do Brasil. 


*O capitão HB é oficial do Exército Brasileiro, possui Curso de Caçador de Operações Especiais e de diversos outros cursos e estágios na habilitação do tiro de precisão de longa distância. Foi instrutor do Curso de Caçador de Operações Especiais e integrante do DRC durante a metade da sua vida profissional após sua formação acadêmica. Executou todas as funções possíveis para um oficial Comandos e Forças Especiais com habilitação de Caçador de Operações Especiais. Teve oportunidade participar de diversas missões de vulto no Brasil e no Haiti, todas elas integrando EqpCçdOpEsp.




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 2)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).


Fotografia 4: Caçador de Operações Especiais realizando sobrevoo na Aeronave HA-1 (Esquilo) da Aviação do Exército Brasileiro. (Fonte: Acervo COpEsp).

O momento atual em que o Brasil é escolhido para sediar diversos eventos de vulto internacional, particularmente desde 2007, sediando os Jogos Pan-Americanos, pelos V Jogos Mundiais Militares, Rio+20, Copa das Confederações 2013, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo da FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, exige um intenso e detalhado preparo das Forças de Operações Especiais para se anteverem às ameaças terroristas contemporâneas. Outrossim o recrudescimento da violência urbana no Brasil, fazendo da sociedade refém de organizações criminosas muito bem estruturadas, dotadas de eficiente comando e controle e que com ações de violência extremista nos grandes centros do país, constitui um chamamento à comunidade brasileira de Operações Especiais para o desenvolvimento de ações efetivas e enérgicas, pautadas pela eficiência, eficácia, legalidade e acima de tudo legitimidade por parte do povo brasileiro.
O Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro (EB) tem sido amplamente empregado pela Força Terrestre, atuando de maneira proativa e reativa em diversos cenários do território nacional, seja nas ações de contraterrorismo, seja nas ações de reconhecimento especial atuando de maneira intensiva nas fronteiras inóspitas do país, seja nas ações de apoio aos órgãos governamentais para debelar os altos índices de violência em locais especificamente conflagrados. Em todos os casos citados o emprego das Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) se torna relevante e preponderante para o sucesso e para obtenção da superioridade relativa, tão necessária para as ações das Forças de Operações Especiais.
Dentro desse contexto, o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC) e o 5º DOFEsp utilizam as mais diversas táticas, técnicas e procedimentos de Caçadores de Operações Especiais para consecução dos objetivos do Comando de Operações Especiais. Para tanto, o adestramento, similar e por vezes realizado de maneira conjunta entre os dois destacamentos, é composto de uma vasta gama de conhecimentos, passando pelas operações de reconhecimento especial até peculiaridades do estudo da meteorologia e balística aérea. Por se tratar de uma tropa especialmente adestrada para dupla capacidade (produção de informação e tiro seletivo), as frações de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp se preparam anualmente por meio de um plano de capacitação específico. A célula de operações do batalhão juntamente com a célula de inteligência e assessoradas pelos comandantes de Destacamento, conduzem esse planejamento baseando-se nas atualizações do cenário mundial, nas possíveis e prováveis hipóteses de emprego e das análises das ameaças.


Fotografia 5: Equipe de Caçadores de Operações Especiais do 5º DOFEsp realizando Ação Direta Seletiva em apoio à Força-Tarefa de Operações Especiais durante Operação no Complexo da Maré. (Fonte: Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/08/policiamento-e-reforcado-e-acesso-de-favela-e-bloqueado-na-mare.html Acesso em: 12 jan. 2017). 

O adestramento desses dois destacamentos muito peculiares tem sido atualizado e revisado constantemente de acordo com as exigências e mutações dos cenários de crise, sendo cada dia mais aparente a utilidade das EqpCçdOpEsp e a importância da necessidade de flexibilidade no seu emprego. As lições aprendidas não se encontram somente nos relatórios pós-ação de adestramentos, elas se originam principalmente dos relatórios pós-ação do pessoal ativamente envolvido. Não raro os Caçadores de Operações Especiais constituem maciçamente esse efetivo, pois são empregados a partir da preparação da Área de Operações, realizando desde o monitoramento de alvos estratégicos até o adestramento das Forças de Segurança Pública local. De maneira geral, a capacitação se divide em Emprego do Caçador e Operações de Reconhecimento Especial. No tocante ao tiro de precisão, diversas Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) são praticadas, e ainda assim, algumas são desenvolvidas para a realidade vivida no cenário nacional. Conhecimentos de balística de diversos armamentos e munições e balística terminal, recarga de munição, tiro em posições alternativas, tiro em movimento e em alvos móveis, tiro embarcado em aeronaves de asa rotativa, capacidade multicalibre das Equipes, capacidade de engajamento de alvos em distâncias superiores a 1500 m, tiro através buraco, tiro noturno empregando diferentes meios optrônicos e condições de iluminação, tiro antimaterial, técnicas de tiro rápido e de compensação de pontaria, tiro através vidro, fotografia profissional, técnicas de observação, memorização e descrição de alvos, uso diferenciado da força, aspectos legais ao emprego do caçador, entre outros proficiências já consagradas mundo afora, conferem ao DRC possibilidades ímpares que o caracterizam como uma tropa essencial antes, durante e depois do emprego dos elementos operativos da Força Terrestre.


Continua...


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 1)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).


Fotografia 1: Caçador do Exército Brasileiro (EB) engajado em operação conduzida no Complexo de Favelas do Alemão, localizado na cidade do Rio de Janeiro-RJ. (Fonte: Acervo do COpEsp).

A Brigada de Operações Especiais (BdaOpEsp) do Exército Brasileiro foi criada em 2002 de acordo com o Plano de Reestruturação da Força Terrestre. Posteriormente, em 2013, a BdaOpEsp veio a transformar-se no Comando de Operações Especiais (COpEsp), sediado em Goiânia-GO. O COpEsp possui em sua estrutura 03 Organizações Militares (OM) de emprego, o 1º Batalhão de Forças Especiais (1º BFEsp), o 1º Batalhão de Ações de Comandos (1º BAC), ambos localizados na sede do COpEsp, e a 3ª Companhia de Forças Especiais (3ª Cia FEsp), localizada em Manaus-AM. Cada uma de suas OM operacionais possuem frações básicas de emprego extremamente peculiares, os Destacamentos Operacionais de Forças Especiais (DOFEsp) nas OM FEsp e os Destacamentos de Ações de Comandos (DAC) no 1º BAC. Essas OM possuem um preparo específico, muito embora, em alguns casos, o emprego conjunto, formando os Destacamentos de Operações Especiais (DOE), tem se mostrado eficaz.
Até então, a atividade de caçador era exercida de maneira individual e pontual dentro dos DOFEsp ou DAC por aqueles que apresentavam certa aptidão para o tiro esportivo de arma longa ou que tinha experiência de caça em sua vida pregressa. A doutrina do emprego do Caçador, sobretudo o de Operações Especiais, ainda formava seu alicerce para ganhar o destaque dos dias atuais. Dessa forma, verificou-se a necessidade das OM do COpEsp ter em seu organograma um fração híbrida capaz de apoiar as ações diretas através do reconhecimento especial e do tiro seletivo a longa distância.
Neste ínterim surgiu o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC), fração com adestramento peculiar que visa obter e transmitir informações necessárias ao apoio às ações do 1º BAC e realizar ação direta seletiva com tiro de precisão. O DRC constituiu-se efetivamente a partir de meados de 2007, em que pese estar previsto no Quadro de Cargos Previstos (QCP) do 1° BAC desde 2004, quando o batalhão foi criado. À reboque da criação do DRC, surgiu o 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais (5º DOFEsp), fração do 1º BFEsp vocacionada para as ações de Reconhecimento Especial e tiro seletivo de longa distância, sobretudo no combate urbano. Os militares mais experientes nas ações de comandos e operações de forças especiais foram selecionados para comporem os Destacamentos, cada um à sua OM. Os integrantes desses destacamentos são altamente adestrados, preparados e maduros. São dotados de excelentes habilidades para resolver problemas e agilidade mental para atuar nas mais fluídas situações.


Fotografia 2: Controlador da Equipe de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) operando Sistema de Comando e Controle. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Como consequência da observação de diversas operações e fruto de experiências internacionais de intercâmbios e cursos, verificou-se que o tradicional efetivo da dupla de caçadores não mais atendia às necessidades operacionais das missões recebidas. Por esse motivo, o DRC e o 5º DOFEsp passaram ter seu organograma constituído por Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp). A composição da EqpCçdOpEsp foi reajustada para quatro elementos: o Caçador, responsável pela realização do tiro de precisão; o Observador, militar mais experiente, responsável pelo auxílio direto ao atirador; o Auxiliar de comunicações, responsável pela transmissão de dados e por operar o diversos meios de comunicação orgânicos da equipe e; o Auxiliar de saúde, responsável pela segurança da posição e por prestar os primeiros socorros aos integrantes da equipe, caso seja necessário. Uma pequena distinção se faz entre as Equipes do DRC e do 5º DOFEsp. Devido ao fato das Equipes de Caçadores (EqpCçd) do DRC atuarem, prioritariamente, em apoio às ações do 1º BAC e de maneira isolada, suas Eqp possuem um Comandante, sendo ele Oficial ou Sargento, de acordo com a demandas específicas da missão, e este obrigatoriamente com o curso de Forças Especiais. Já as equipes do 5º DOFEsp, por possuírem seus caçadores com a formação de Operador de Forças Especiais, essa necessidade relativa às questões específicas às Op FEsp passam a ser supridas, não excluindo a possibilidade de incluir eventualmente um militar para comandar uma EqpCçd OpEsp.


Fotografia 3: Fuzil de Precisão de Ação Manual de dotação do DRC e 5º DOFEsp, modelo MSR, multicalibre .300, .308 e .338. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Desde então, o COpEsp emprega suas frações de Caçadores de Operações Especiais para proporcionar informação específica, precisa, detalhada e em tempo real, de importância estratégica ou operacional, em apoio a outros Destacamentos, a uma Força-Tarefa de Operações de Especiais como um todo ou, ainda, para escalões no processo decisório no nível operacional. Destaca-se o emprego maciço das Equipes de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp como plataforma de informação nas Operações de Contraterrorismo (grandes eventos e segurança de dignitários), de apoio às ações diretas integrando o Destacamento de Operações de Paz (DOPaz) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e nas recentes Operações de Apoio aos Órgãos Governamentais (OAOG) na cidade do Rio de Janeiro em comunidades com alto nível de insegurança e risco político para as ações.

Continua...


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Operações Especiais e a Essência do “Ser”

Texto elaborado por Laio GIORDANNI Evangelista Melo*.

Fotografia 1: Quadros operacionais do Grupamento de Ações Táticas (GATE) da Polícia Militar da Paraíba (PMPB) participam de Intervenção tática em estabelecimento prisional situado no município de Campina Grande. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

Na atualidade, em pleno século XXI, as Operações Especiais (OpEsp) tomam cursos de formação cada vez mais importantes e dinâmicos, devido, principalmente, a um conjunto de fatores: ao ser humano extremamente mutável e violento; a um espaço físico cada vez mais disputado e globalizado; às politicas de governo vigentes. Logo, as OpEsp que já existiam desde a Antiguidade, tornam-se cada vez mais comuns e necessárias, produzindo operações valorosas e conhecidas tanto em cenários civis, quanto militares.
São inúmeros os exemplos das operações que refletem o valor, a perícia e a importância dos seus feitos, entre as quais citaremos apenas alguns breves e conhecidos exemplos: Operação Thunderbolt Entebbe (retomada de aeronave em Uganda, 1976); Operação Nimrod (retomada de reféns mantidos em cativeiro na Embaixada Iraniana em Londres, 1980); Operação Red Wing, (combate entre guerrilheiros afegãos e uma patrulha de Reconhecimento dos SEALs da Marinha norte-americana, 2005), Operação de ocupação do Complexo de Favelas do Alemão visando a captura de traficantes no Rio de Janeiro, 2010); Operação Neptune Spear objetivando a eliminação de Osama Bin Laden, 2001); entre diversas outras.
Desta feita, as OpEsp, bem como seus operadores, são comumente alvos de inspiração e suas façanhas os tornam heróis reais. Contudo, tais ações e feitos possuem diversas consequências a serem estudadas, e neste momento buscaremos analisá-las por uma perspectiva específica: a essência do que de fato venha a ser o “sentir” as OpEsp, e o que isso representa, sobretudo, para os operadores que as executam.
O fato das OpEsp estarem na “moda” – como é possível notar em filmes, livros, jornais, revistas, vídeos, documentários, seriados, etc; bem como a admiração demonstrada por jovens que buscam nas OpEsp acrescentar ação e aventura em suas carreiras militares e/ou policiais; ou ainda o entusiasmo manifestado por leigos, simpatizantes dos princípios, doutrinas, equipamentos, armamentos, vestimentas, comportamentos, técnicas e táticas peculiares às OpEsp – , não deve incidir em uma percepção superficial da atividade, de maneira a permitir que tais ações sejam vistas e absorvidas apenas para alimentar propósitos momentâneos e individualistas que possibilitam ao operador desenvolver um comportamento e conduta inapropriados com a natureza das OpEsp, tais como: egocentrismo, narcisismo, vaidade, onipotência, onisciência, onipresença, esquecimento dos princípios éticos e morais basilares das OpEsp.


Fotografia 2: Equipe do GATE da PMPB tomam parte em uma ocorrência envolvendo o resgate de reféns em uma agência dos Correios localizada na capital João Pessoa. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

O homem de OpEsp é importante e valoroso, não apenas pelo que ele pode e é capacitado a fazer, mas também pelo que ele representa, pelo que ele inspira. Deve ser repleto de humildade, patriotismo, compromisso, motivação, força, perseverança e liderança. E é importante frisar que liderar não é a mesma coisa que chefiar. Homens de OpEsp devem ser liderados, jamais chefiados! O homem de OpEsp deve ser sempre uma referência, um exemplo para outras pessoas e, ainda mais, para os demais operadores (os quais podem ainda não ser tão capacitados e preparados quanto ele).
O homem de OpEsp representa um passado de feitos históricos e heroicos, representa homens que viveram e morreram por servir a ideais e propósitos maiores do que eles. Ostentar uma manicaca (patche de braço) e/ou um brevê de OpEsp e saber que você se comprometeu a fazer o mesmo diuturnamente, representa um futuro de expectativas, de esperança e evolução na defesa dos “oprimidos, indefesos e escravizados”.
O “ser” OpEsp é muito mais que tirar fotos de braço cruzados (talvez, denotando estar fechado) e ou olhando por cima (talvez, denotando soberba e arrogância), é muito mais do que ostentar uma caveira, um tridente, uma águia ou uma adaga num uniforme diferenciado, é muito mais do que ter acesso a conhecimentos e informações sigilosas/confidenciais, é muito mais do que participar de operações extremamente complexas, valorosas e perigosas. O “ser” OpEsp é saber o valor de tudo isso em essência, é viver constantemente seus princípios, é proporcionar a manutenção e a evolução da doutrina, é estar disposto a se sacrificar (em todos os sentidos) pela sua nação, é operar com o coração (não com o bolso), é instruir e esclarecer o leigo, é, também, como salientado por Eric L. Haney (autor do livro “Força Delta: por dentro da tropa antiterrorista americana”):


Operações Especiais são como ferro em brasa que marca a alma, e depois, faz com que vejamos o mundo para sempre por meio de um conjunto singular de filtros mentais. Quanto mais profunda e intensa é a experiência, mais quente é o metal e mais profunda a marca do indivíduo.

Ser OpEsp... é ouvir, chorar, e sorrir ao lado de seu "irmão Comandos". 

Figura 1: Insígnia do Grupamento de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar da Paraíba. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

* O 1º Tenente GIORDANNI pertence ao Quadro de Oficiais Combatentes da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), ingressou nas fileiras em fevereiro de 2006 e em 2008 formou-se bacharel em Segurança Pública pela Academia Militar do Cabo Branco – PB. Logo em seguida exerceu atividade de oficial de operações na Tropa de Choque da PMPB até o ano de 2011, no início de 2012 concluiu o Curso de Ações Táticas Especiais daquela força integrando o Grupamento de Ações Táticas Especiais da PMPB até os dias atuais. Em 2015 concluiu o Curso de Operações Especiais na PMMG. Exerce atualmente a função de Comandante da Equipe de Atiradores Policiais de Precisão desta tropa especial. Concluiu, ainda, diversos cursos operacionais na área de segurança.




sábado, 17 de dezembro de 2016

Informativo FOpEsp, nº 13

Publicação de Artigo

Fotografia 1: Operadores da Companhia de Mergulhadores de Combate (Kampfschwimmerkompanie) da Marinha alemã (Deutsche Marine) lançados a partir de uma plataforma submarina classe U212 navegando em profundidade de cota periscópica. (Disponível em: https://sofrep.com/48683/watch-seal-delivery-vehicle-team-strike/Acesso em: 16 dez. 2016). 

Informo a todos os seguidores do blog FOpEsp que a Revista Segurança & Defesa em sua última edição (nº 124, p. 24-29), publicou um artigo de minha autoria com o título:


"Infiltração/Exfiltração Submarina de FOpEsp"


O texto aborda o suporte ofertado por plataformas submarinas considerando os diferentes procedimentos de lançamento/recolhimento de Elementos de Operações Especiais (ElmOpEsp) realizados no intuito de infiltrar/exfiltrar Mergulhadores de Combate (MECs) na Área de Operação (AO).


Fotografia 2: Capa da edição nº 124 da Revista Segurança & Defesa, apresentando artigo alusivo aos procedimentos de Infiltração/Exfiltração Submarina de Forças de Operações Especiais. (Foto: Acervo da Revista Segurança & Defesa).


Mensagem de Final de Ano


Com o objetivo de disseminar uma cultura de valorização das Forças Singulares (Exército, Marinha e Força Aérea) e Forças Auxiliares (Polícias Federal, Militar e Civil), especificamente no âmbito das Operações Especiais, o blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais) buscou difundir conhecimentos distintos nas diferentes postagens que apresentou ao longo de 2016 (ano de nossa gênese). Agradecemos a todos os nossos seguidores pelo apoio demonstrado no decorrer desse período, suporte imprescindível que nos motiva a alçar novos voos no ciclo que se inicia com o próximo ano. Aproveitamos a oportunidade para informar-lhes que deixaremos de publicar novas postagens no transcorrer das próximas duas semanas por ocasião das festas de Natal e Ano Novo, retornando às atividades normais a partir da segunda semana de janeiro de 2017. Com a certeza que estaremos juntos novamente... QUEM OUSA VENCE!!!








sábado, 10 de dezembro de 2016

Cultura de valorização das Operações Especiais: uma possibilidade viável na sociedade brasileira?

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Fotografia 1: Quadros operacionais do 1º BFEsp (1º Batalhão de Forças Especiais), em primeiro plano, e do 3º Batalhão do 7º SFG(A) do Exército dos EUA, em segundo plano, durante intercâmbio realizado na cidade de Goiânia, sede do COpEsp (Comando de Operações Especiais) do Exército Brasileiro. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Conduzida como uma resposta aos atentados terroristas perpetrados pela al-Qaeda contra o território norte-americano em 11 de setembro de 2001, a Guerra Global contra o Terrorismo (GWOT [Global War on Terrorism]) evidenciou o emprego estratégico das Forças de Operações Especiais (FOpEsp). Embora tenham atraído grande atenção pública por ocasião da constância com que os órgãos de imprensa repercutiam as operações levadas à efeito em países como Afeganistão, Iraque, Paquistão, Iêmen e Somália, a opção dos Estados por utilizar as Operações Especiais (OpEsp) como uma alternativa estratégica em favor de seus interesses não é recente.  
Sobre o emprego político-estratégico das FOpEsp, a história é pródiga em nos apresentar exemplos de ações militares que não se limitaram as implicações do campo de batalha. A criação dos Commandos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu com o propósito de evidenciar a intenção e determinação do governo do primeiro ministro Winston Churchill de continuar lutando, a despeito de sua temporária incapacidade de lançar uma contra ofensiva em larga escala contra a Europa ocupada. Também durante a Segunda Grande Guerra a Operação Pazerfaust (15 de outubro de 1944) promoveu o sequestro de Miklós Horthy Jr. (filho do regente Húngaro Miklós Horthy) por homens das unidades SS Friedenthal lideradas por Otto Skorzeny, com o objetivo de impedir que a Hungria abandonasse a aliança com o Eixo no intuito de aproximar-se dos Aliados. A ação de resgate de reféns ocorrida por ocasião da Operação Thunderbolt (4 de julho de 1976), em virtude da via diplomática (negociação) aparentemente ter se esgotado tornando o uso da força por integrantes do Sayeret Matkal (unidade das Forças de Defesa de Israel) a melhor alternativa estratégica para a solução do problema.
Ponderando sobre a utilidade estratégica de um componente militar, é necessário esclarecer que a verdadeira utilidade estratégica desse componente para o poder nacional é calcada nas suas capacidades de projetar ou defender os interesses nacionais. Nesse contexto, para que uma FOpEsp possa ser empregada de forma estratégica é necessário que a unidade em questão tenha um valor substantivo no exercício desse papel. Sobre a relevância estratégica das FOpEsp, Colin S. Gray, professor de Relações Internacionais e Estudos Estratégicos da Universidade de Reading (Reino Unido) afirma:

As Forças de Operações Especiais são um ativo da grande estratégia nacional: elas constituem uma ferramenta de política que pode ser empregada cirurgicamente em apoio à diplomacia, assistência estrangeira (de inúmeras formas), bem como um das forças militares regulares, ou como uma arma independente.

Ponderando sobre a utilização das FOpEsp em favor da Grande Estratégia dos Estados (utilização de todos os instrumentos de poder disponíveis para a conquista e/ou manutenção de objetivos políticos), Gray evidencia as unidades de elite como um importante instrumento do Poder Militar que pode ser empregado em favor dos interesses estatais (política). As campanhas levadas a efeito por FOpEsp na Guerra do Kosovo (1999) e na Guerra do Afeganistão (2001), são exemplos do emprego estratégico das unidades de elite em favor dos interesses dos Estados, uma vez que os resultados obtidos conscientizaram as autoridades estatais que grandes objetivos políticos podem ser alcançados por Elementos de Operações Especiais (ElmOpEsp) organizados em pequenas unidades e sem a onerosa necessidade de utilizar os grandes contingentes das tropas convencionais. 

Fotografia 2: Quadros operacionais do GERR/MEC (Grupo Especial de Retomada e Resgate do Grupamento de Mergulhadores de Combate) da Marinha do Brasil realizam instrução de técnicas CQB (Close Quarters Battle  [Confronto em Reconto Confinado]).(Fonte: Acervo do GruMec).

É pertinente enfatizar que o aprimoramento das políticas e estratégias nacionais de Defesa de um determinado Estado deve ser compatível com os propósitos estabelecidos por ele. Por estarem os temas atinentes à Defesa Nacional relacionados à integridade territorial, à soberania nacional e aos interesses essenciais de uma nação, questões inerentes ao reconhecimento e incremento das capacidades das Forças Singulares (Exército, Marinha e Força Aérea), sendo incluídas nesse contexto as competências das FOpEsp. No decorrer desse processo de valorização, dois fatores têm importância fundamental: envolvimento da sociedade e a adoção de medidas efetivas.
Sobre o envolvimento da sociedade considera-se que a Educação desempenha um papel indispensável na formação de cidadãos (militares e civis) envolvidos com a temática da Defesa.
Por sua vez, a adoção de medidas efetivas requer a Formulação de políticas e estratégias de Defesa; alocação de recursos financeiros conforme as necessidades de Defesa do país; planejamento conjunto de Defesa envolvendo todos os níveis institucionais; solidez das instituições militares; preparo e equipamento adequados das Forças Armadas (FFAA); inclusão da temática OpEsp nas estruturas curriculares das escolas de formação militar (para oficiais e praças); desenvolvimento de estudos científicos pertinentes ao setor de Defesa;  implementação de um sistema eficiente de mobilização nacional; construção e manutenção de uma Base Industrial de Defesa (BID).
No que concerne às OpEsp realizadas pelas tropas especiais brasileiras, a questão central que incita a reflexão refere-se a necessidade/viabilidade de se estabelecer, de forma singular e/ou conjunta, estruturas de Comando que, respeitando as particularidades de cada um de seus componentes, sejam capazes de organizar e integrar as unidades de elite a elas vinculadas. Para tanto, é imprescindível que a sociedade castrense brasileira, assim como ocorreu com a comunidade militar de países como EUA, Reino Unido, França, Canadá e Austrália, compreenda as características contemporâneas do conflito, cujas ameaças, diferente do perfil predominantemente estatal (militar) do passado, não se restringem ao modelo clássico da Guerra de Atrito, conduzida por tropas convencionais de Estados adversários que se confrontam (respeitando as Leis da Guerra e a Convenção de Genebra) em espaços geográficos previsíveis, a fim de reduzir a eficiência de combate do inimigo (destruição dos meios físicos [humanos e materiais] do oponente).

Fotografia 3: Operadores do EAS (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, também conhecido como PARA-SAR) da Força Aérea Brasileira, executam um exercício C-SAR (Combat - Search and Rescue [Busca e Resgate de Combate]) com o objetivo de recuperar pilotos abatidos. (Fonte: Disponível em: http://www.defesanet.com.br/sof/noticia/16020/As-tropas-de-elite-das-Forcas-Armadas-do-Brasil/ Acesso em: 9 dez. 2016).

Mesmo que o Estado brasileiro estivesse em condições de formular estratégias e políticas de Defesa compatíveis com as reais necessidades do país, promovendo junto à sociedade uma cultura de valorização de questões atinentes ao tema, atendê-los não acarretaria em uma alteração automática no modo como nossas FOpEsp são empregadas, uma vez que o pensamento vigente e plural entre os militares de nossas FFAA continua sendo influenciado pelo conceito operacional que predominou no século passado, projetando o emprego das unidades de elite apenas como uma alternativa tática, com efeitos de suas ações restritos ao campo de batalha.  A realidade dos conflitos atuais, que valoriza as unidades especializadas em confrontar ameaças que lançam mão de métodos não convencionais de enfrentamento, requer por parte dos militares brasileiros uma percepção totalmente nova, fazendo com que as FOpEsp sejam consideradas não apenas como um recurso tático, mas como um expediente estratégico que busca obter efeitos político-militares amplos, prolongados e decisivos.




domingo, 4 de dezembro de 2016

SWAT: Pronta Resposta às Ocorrências Policiais Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Fotografia 1: Dupla de operadores da SWAT do LAPD (Los Angeles Police Department [Departamento de Polícia de Los Angeles]). (Fonte: Disponível em: http://wallpapersafari.com/lapd-wallpaper/ Acesso em: 3 dez. 2016).

Na manhã de 1º de agosto de 1966, após eliminar seus dois primeiros alvos, respectivamente sua esposa e mãe, Charles Joseph Whitman, ex-fuzileiro naval dos EUA (USMC [United States Marine Corps]) reconhecido por sua perícia como atirador e marcado por um histórico de frustrações, invadiu o campus da Universidade do Texas, localizada na cidade de Austin, portando diversas armas de diferentes tamanhos e calibres. Alojando-se na torre do sino no edifício principal da universidade, Whitman passou a observar os pedestres que se locomoviam pelas dependências do campus. Nos 95 minutos que se seguiram ele disparou indiscriminadamente contra os pedestres sem enfrentar resistência. Quase duas horas depois de iniciar os disparos, o ex-fuzileiro foi morto por um policial local que havia conseguido avançar cautelosamente até a torre. Conhecido como “Massacre da Torre do Texas”, os disparos de Whitman feriram 32 pessoas e resultaram na morte de outras 14.
O evento relatado anteriormente, acrescido de uma onda de ações violentas cometidas contra a população civil e a força policial do município de Los Angeles (estado da Califórnia) no decorrer da década de 1960, levou o departamento de polícia da cidade (LAPD [Los Angeles Police Department]) à constatação de que não dispunha de capacidade para lidar com ocorrências de natureza não convencional. Face a esse julgamento, em 1967 o sargento John G. Nelson, também um ex-fuzileiro naval, apresentou a Darryl Francis Gates, então inspetor responsável por supervisionar as investigações do LAPD, o conceito de uma unidade tática apta a confrontar situações envolvendo indivíduos armados cujos métodos e violência empregados se mostram incomuns, entre os quais: atiradores furtivos; roubos perpetrados por suspeitos fortemente armados; sequestros; etc.  Ciente da incapacidade demonstrada pela polícia de confrontar esse tipo de ameaça, Gates (que futuramente viria se tornar Chefe do LAPD) deu andamento à proposta de Nelson autorizando a concepção de uma tropa especializada, oficialmente conhecida como LAPD Metropolitan Division`s “D Platoon” (“Pelotão D” da Divisão Metropolitana do Departamento de Polícia de Los Angeles) e identificada pela sigla SWAT (Special Weapons and Tactics [Armas e Táticas Especiais]).

Fotografia 2: Equipe da SWAT do LAPD engajados uma ocorrência de risco elevado envolvendo um suspeito abrigado no interior de sua residência com três filhos. (Fonte: Disponível em: http://abc7.com/news/barricade-suspect-surrenders-to-police-in-leimert-park/771548 Acesso em:3 dez. 2016).

A unidade inicialmente foi constituída por 60 elementos, divididos em 15 equipes de quatro operadores, reunidos de forma voluntária a partir das diferentes unidades vinculadas ao LAPD (todos os selecionados para compor a SWAT apresentavam experiência militar prévia). Cada uma das equipes operavam em sistema de sobreaviso, sendo ativadas e reunidas periodicamente para receber treinamento mensal ou quando uma intervenção se fazia necessária.
A SWAT teve seu primeiro grande desafio em dezembro de 1969, quando seus quadros operacionais foram incumbidos de apreender armas ilegais localizadas na sede do Partido dos Panteras Negras, organização ligada ao movimento nacionalista que defendia a unidade racial negra opondo-se ao pluralismo cultural. Em meados dos anos 1960, os Panteras Negras assumiram-se como movimento revolucionário defendendo ideais como: a isenção de impostos da população negra; o pagamento de indenizações por séculos de exploração da chamada “América Branca”; entre outros. Para alcançar seu intento, militantes radicais do partido defendiam o armamento da população negra e o início de uma luta armada. Na ocasião da intervenção policial, integrantes dos Panteras Negras antagonizaram a SWAT por quatro horas em um violento confronto que redundou em seis feridos (três policiais e três militantes do partido).
No início dos anos 1970, a crescente criminalidade em diferentes regiões de Los Angeles, além das dificuldades demonstradas pela polícia para organizar uma resposta eficiente em tempo hábil, levaram o LAPD a estabelecer a SWAT em tempo integral colocando-a sob autoridade da Divisão Metropolitana.  

Figura 1: Emblema da SWAT do LAPD. (Fonte: Disponível em: http://criminalminds.wikia.com/wiki/Special_Weapons_and_Tactics Acesso em: 3 dez. 2016).

A transição da década de 1970 para 1980 foi marcada pelo incremento da atividade terrorista no cenário internacional. O atentado perpetrado pela organização fundamentalista Setembro Negro contra a equipe olímpica israelense durante os jogos de 1972, realizados em Munique na Alemanha, evidenciaram o quão atrativos são os eventos dessa natureza para os grupos terroristas, estimuladas a incutir o medo por meio da violência devido a projeção midiática ofertada pelas Olímpiadas. Nesse contexto, na condição de cidade sede dos Jogos Olímpicos de 1984, Los Angeles figurava como um potencial alvo da atividade terrorista. Assim, no intuito de preparar-se adequadamente para essa modalidade de enfrentamento (até então inexplorada pela SWAT), em 1983 o LAPD destacou três supervisores da unidade para viajar à Europa no intuito de pesquisar TTP (Táticas, Técnicas e Procedimentos) executados por tropas contraterroristas (CT) de diferentes países daquele continente, a se destacar: 22nd SAS (22nd Special Air Service Regiment [22º Regimento do Serviço Aéreo Especial]) britânico; GIGN (Group d`Intervention de la Gendarmerie Nationale [Grupo de Intervenção da Gendarmerie Nacional]) francês; GSG9 9 (Grenshutzgruppe 9 [Grupo de Defesa de Fronteira 9]) alemão. No ano seguinte os jogos transcorreram de forma segura e pacífica, restando à SWAT um legado (desenvolvimento para operar em ações CT) que elevou seu nível de empregabilidade.

Fotografia 3: Policiais da SWAT do LAPD após o desfecho de ocorrência envolvendo um atirador-suicida no campus da UCLA (University of California at Los Angeles [Universidade da Califórnia em Los Angeles]). (Fonte: Disponível em: http://hamodia.com/2016/06/01/shooting-ucla-campus/ Acesso em: 3 dez. 2016).

Atualmente a SWAT de Los Angeles é reconhecida internacionalmente como uma das mais capacitadas unidades táticas policiais do mundo, respondendo a qualquer ocorrência de risco elevado que esteja sob autoridade do LAPD. Estruturalmente a SWAT de Los Angeles é composta por 60 Policiais, seis Sargentos e um Tenente. Responsável pelo comando da unidade e por responder ao Chefe do LAPD, o Tenente é identificado pelo código 10-David, enquanto os Sargentos, cada um deles responsável por um esquadrão de 10 homens (divididos em dois grupos táticos de cinco elementos), são designados conforme antiguidade com códigos que variam entre 20-David à 70-David. 
Introduzido pela LAPD, o conceito de Armas e Táticas Especiais que caracterizam a SWAT foi difundido por todo o território norte-americano, sendo incorporado pelos departamentos de polícia de diferentes metrópoles, tais como: Nova York; Miami; Chicago; Dallas; San Francisco; Salt Lake City; entre outras. Esse mesmo conceito se estenderia para além das fronteiras estadunidenses influenciando na criação e/ou desenvolvimento de unidades policiais análogas de diferentes países.